peatonal

Caminhando se vive arquitetura

Guilherme Osterkamp

Arquiteto e Urbanista, afim de uma boa conversa..

Atual discurso antigo

O Arquiteto, o saber, o sonhar e a paródia.
Um discurso de formatura e um rap: Tentativas de definição de um "ser" peculiar.


No dia 28 de janeiro de 2012, lá pelas nove horas da noite, eu caminhava no palco do recém-inaugurado Teatro Feevale, chegava ao púlpito, respirava fundo e:

“(...)Pais, amigos, professores... e todas essas pessoas legais que estão aqui hoje, vivendo este momento único:

Boa noite!

Eu sou o Guilherme, Arquiteto e Urbanista. E isto, há apenas alguns minutos. Mas o fato é que, eu acredito que, sendo um arquiteto há 3 minutos ou 30 anos, existe uma pergunta essencial, aparentemente simples ou óbvia, que é igualmente difícil de ser respondida: “afinal de contas, o que é um arquiteto e urbanista?”. Esta questão, por nunca ser respondida da mesma forma, nos demonstra quão especial e complexa é a nossa atividade. Para mim, o arquiteto são vários que constituem um só. Ou como vou explicar agora, são pelo menos dois. Vou chamá-los de o “saber” e o “sonhar”.

Existe a figura do Arquiteto e Urbanista responsável. O que precisa saber de tudo, um pouco. O que deve ser capaz de projetar praticamente tudo. E para tanto, busca este saber a toda hora. É aquele cara que estuda muito, dorme pouco, e não desiste.(...)é esse arquiteto que tenta fazer a diferença entre muitos. Responsável em seus projetos por quesitos intermináveis como sustentabilidade, acessibilidade, estrutura, beleza, meio ambiente, economia, sociedade, e contexto urbano, ele quer sempre mais, e dificilmente está satisfeito. Tem a perfeição como meta. Inatingível, porém ainda assim, sempre a sua meta. Este é o que chamamos de nerd, curioso e preocupado. Me lembra uma frase do uruguaio Eduardo Galeano que diz: “A primeira condição para modificar a realidade consiste em conhecê-la.”

dmitri-kessel-architect-lucio-costa-standing-in-the-field-site-of-the-new-capitol.jpgO semblante sério e responsável de Lúcio Costa e a futura capital do Brasil ao fundo.

E de outra frase, é que surge o segundo lado do arquiteto: o sonhar. Uma vez, ouvi o seguinte: “Não te preocupa, tu é arquiteto, ninguém te leva muito a sério”. Surpreso, achei um pouco verdade, e de certa forma, um elogio. Porque este é o lado que diferencia o arquiteto da maioria das profissões. Ele é o ser criativo, que não se leva muito a sério, e por isso, é uma pessoa interessante, divertida e um pouco mais relaxada.

Até o Chico tentou...

Essa condição é tão importante quanto as do primeiro perfil. É esta face do arquiteto que enxerga o mundo de um jeito diferente, consegue ver além do comum e encontra diversas soluções e alternativas para os mais diferentes problemas. Esse é o arquiteto que se diverte trabalhando, estudando, conhecendo, participando, compartilhando. Conhece tanto de história, nos mais diferentes contextos, quanto dos mais diversos materiais e sistemas construtivos. Projeta mobiliário com a mesma desenvoltura, naturalidade e satisfação de quem soluciona problemas de urbanísticos regionais, passando pelo desenvolvimento de projetos das mais diferentes tipologias arquitetônicas. São essas características, que nos rotulam de despreocupados, bem humorados, e por vezes, até de boêmios e festeiros. Estes aspectos tornam a Arquitetura e Urbanismo uma carreira impossível de se seguir sozinha. E por isso, tão prazerosa. Pois a seguimos com nossos amigos. Da mesma forma como ela nos condiciona a estar em grupo, este - viver em grupo - nos condiciona a sermos arquitetos o tempo todo. Arquitetura é trabalho, mas também exige que a vivamos nas férias. É muito estudo, mas nos exige descontração, festas e conversas de bar.

Portanto, acredito que o segredo deve ser o equilíbrio entre estas duas faces. Afinal, é nesse paradoxo: entre a descontração e a concentração, ou entre o saber e o sonhar, que vivemos. Este é o arquiteto. Por isso, a conclusão que chego é que o Arquiteto e Urbanista, sendo tantos diferentes, pode ser praticamente qualquer um, desde que ame esta profissão. O arquiteto é, por essência, um apaixonado. Apaixonado pela sua profissão, por criar, transformar, inventar... Pelo objetivo constante de mudar as coisas para melhor, ou como disse o velho Oscar Niemeyer: “de transformar esse mundo injusto que nos cabe viver.”

Por isso, senhoras e senhores, lhes digo, com total certeza, em nome dessa turma de apaixonados: Nós vamos mudar o mundo. E haverá de ser pra melhor.

Muito obrigado e boa noite!”

Agora poderia fazer diversas conexões com outros assuntos. Mas cada um merece um texto próprio. Prefiro linkar com o que há de mais atual (e divertido) apresentando esse "ser" peculiar, o arquiteto:


Guilherme Osterkamp

Arquiteto e Urbanista, afim de uma boa conversa...
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