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O cinema em primeiro plano

Lynn Colling

Publicitária e editora do blog Película Criativa

The Lady – Uma emocionante cinebiografia sobre a dama da Birmânia

Luc Besson dirige o filme baseado na resistência birmanesa, liderada por Aung San Suu Kyi. "The Lady" abre os olhos do espectador para o conflito asiático, mostrando o dramático retorno de uma mulher ao seu país natal.


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Localizado próximo à Índia, Laos e China, o atual Myanmar (também chamada de Birmânia) é cenário dessa história contemporânea de luta, paz, coragem e amor. O filme mostra os acontecimentos na vida de Aung San Suu Kyi, do prêmio Nobel da Paz à morte do marido, como também, o fim de sua prisão domiciliar em 2010.

Aung San Suu Kyi é a filha do moderno fundador da Birmânia, Aung San, que foi assassinado pouco antes da independência do país. Casada com um estrangeiro e mãe de dois filhos, Suu Kyi deixou sua vida em Londres para cuidar da mãe doente em Rangoon - que passava por um conflito sangrento em protesto da ditadura militar. Aung San Suu Kyi foi persuadida por partidários para permanecer em Rangoon e fundar a Liga Nacional pela Democracia. A decisão levou ao afastamento de seu marido (Michael Aris) e dos filhos (Alexander e Kim), que tiveram o visto de permanência negado pela Birmânia.

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À primeira vista, “The Lady” ("Além da Liberdade" no Brasil) pode parecer um filme extremamente político, mas a luta pela democracia birmanesa é colocada em segundo plano nas lentes de Luc Besson. Levou três anos para Rebecca Frayn finalizar o roteiro do filme, que narra (em flashback) uma história de devoção e compreensão humana. Uma das maiores falhas de “The Lady” é a simplicidade do roteiro, que deixa muitas questões importantes da vida política e pessoal de Aung San Suu Kyi em aberto.

O conflito da Birmânia não ganhou a devida atenção na mídia ocidental, mais uma razão para justificar a abordagem de Luc Besson. O filme é praticamente educacional, explicando de uma maneira comovente os sacrifícios que Aung San Suu Kyi enfrentou, mas é questionável a ausência dos motivos pelos quais ela precisou colocar sua terra natal antes da própria família. O período de prisão domiciliar também foi retratado de maneira superficial pelo cineasta.

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As gravações de “The Lady” aconteceram na Tailândia e em Myanmar, com direção do francês Luc Besson - que apresenta imagens de pura inspiração. O filme traz cenas vívidas do conflito de Rangoon, mas comete erros em comum com “A Dama de Ferro” (The Iron Lady) - outra cinebiografia lançada em 2012. Meryl Streep e Michelle Yeoh entregam performances maravilhosas, mas o roteiro não consegue transmitir a dimensão das personagens.

Michelle Yeoh interpreta a heroína da Birmânia com muita serenidade. A atriz carrega elegantemente o peso de interpretar uma das figuras políticas mais queridas do mundo. A naturalidade de seus gestos e expressões faciais não deixam espaço para qualquer questionamento, Yeoh foi a escolha perfeita para protagonizar o filme. David Thewlis cumpre um dever duplo em “The Lady”. O ator interpreta o compreensível marido de Suu Kyi e, também, o irmão gêmeo de Michel Aris. No filme, o personagem é diagnosticado com câncer terminal e enfrenta a terrível restrição de um regime totalitário, quase tão louco como o da Coréia do Norte.

“The Lady” cumpre mais do que seu papel cinematográfico. O filme dirigido por Luc Besson é um testemunho de coragem e sacrifício, que inspira o espectador através do retrato encantador de Aung San Suu Kyi.


Lynn Colling

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