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O cinema em primeiro plano

Lynn Colling

Publicitária e editora do blog Película Criativa

A Imigrante - A terra dos sonhos de James Grey

Marion Cotillard vive uma imigrante polonesa em busca do sonho americano no novo filme dirigido por James Grey.


A_Imigrante - O sonho americano de_James_Gray.jpg O mais recente filme de James Gray nos leva de volta aos Estados Unidos, quando o país ainda era a terra das oportunidades para pessoas desesperadas, sem conexões e em busca de uma vida melhor. ‘A Imigrante’ (The Immigrant) é o quinto filme da carreira do cineasta e sua quarta colaboração com o ator Joaquin Phoenix. A dupla já uniu forças nos filmes ‘Amantes’ (Two Lovers), ‘Caminho Sem Volta’ (The Yards) e ‘Os Donos da Noite’ (We Own the Night).

‘A Imigrante’ (The Immigrant) é um drama histórico, marcado pelo tumulto emocional de seus personagens. Ambientado na cidade de Nova York, em 1921, James Gray foca suavemente no submundo do sonho americano, apresentando a história de Ewa (Marion Cotillard), uma imigrante polonesa que chega em Ellis Island acompanhada da irmã. O problema começa quando sua irmã é impedida de entrar no país e precisa ser mantida na ilha sob quarentena de tuberculose. De alguma maneira, Ewa conhece Bruno Weiss (Joaquin Phoenix), um homem que afirma poder ajudá-la a entrar no país e libertar a sua irmã da ilha. Ewa não imagina que ele é um cafetão, dono de uma prestigiada casa de shows na cidade. Incapaz de escapar das suas garras, ela conta com a ajuda de Emil (Jeremy Renner).

A_Imigrante_Marion_Cotillard_e_Joaquin_Phoenix.jpgO modo como este filme foi desenhado mostra a preocupação de James Gray em realizar trabalhos autênticos. O cineasta, que co-escreveu o roteiro com Ric Menello, desenvolve um panorama complexo, da degradação e corrupção dos cortiços da região do Lower East Side. O filme começa de forma promissora. Nos primeiros momentos, ‘A Imigrante’ (The Immigrant) parece ser um drama intrigante, onde Marion Cotillard domina o centro do palco com sua personagem.

Em teoria, o encontro improvável de Ewa com o mundo turbulento dos cortiços deveria injetar um pouco de energia ao filme. As cenas iniciais de Bruno e Ewa são fascinantes, pois ele não é a figura típica do malandro charmoso ou sinistro, mas sim um homem intimidador. Nem a personagem Ewa é uma heroína típica. O palco estava montado para uma história realista, mas o filme caminha lentamente por uma estrada confusa.

A_Imigrante_Marion_Cotillard.jpg Marion Cotillard é incapaz de entregar uma performance duvidosa e ela certamente carrega o filme nas costas. A atriz fez de Ewa uma mulher frágil, mas com um instinto de sobrevivência admirável. Cotillard precisou memorizar quase 20 páginas de diálogos em polonês para dar vida à sua personagem. Todo mundo já conhece a dimensão do talento que ela possui, pois Marion Cotillard é do tipo que consegue dizer muito em uma única expressão facial. Seu diálogo é mínimo e ainda assim ela consegue expressar melhor o seu drama do que, por exemplo, a personagem de Cate Blanchett em ‘Blue Jasmine’, armada de todos aqueles diálogos frenéticos e maravilhosos, típicos de Woody Allen.

Em relação ao desempenho das atuações masculinas, o resultado não foi tão positivo. Joaquin Phoenix luta para dar vida ao seu personagem, mas ele consegue alguns momentos de destaque ao longo do filme, provando que ainda é um dos melhores atores da sua geração. Apesar de confuso, Phoenix fez de Bruno um personagem assustador, obscuro e desprezível. Já o papel de Jeremy Renner é inexpressivo e sem brilho, ele não encontrou espaço dentro da trama para se desenvolver e ficou pela metade.

A_Imigrante_Marion_Cotillard_e_Jeremy_Renner.jpgAmparado pelo trio de atores, o filme ainda é uma experiência rica, graças à direção de James Gray. A história só atinge seu clímax quando Ewa, dilacerada pela culpa e pela ideia do pecado, torna-se crucificada em seu estranho triângulo amoroso. James Gray é um diretor inteligente, sempre preocupado em oferecer ao público algo diferente e não a fórmula habitual de Hollywood. ‘A Imigrante’ (The Immigrant) é certamente diferente, mas o filme também é uma ópera da infelicidade, que aposta em um clima pesado e opressivo.

A impressão final que este filme deixou foi insatisfatória. É evidente que James Gray poderia desenvolver com maior profundidade a saga desta mulher em terras estrangeiras. Da forma como o filme foi apresentado ao mundo, ‘A Imigrante’ (The Immigrant) não deixa de ser um bom trabalho, com potencial para algo muito maior.


Lynn Colling

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