Micheli Biek

Amante de boas histórias, sempre perambulando entre o universo das palavras e das imagens...

Greta Garbo, alguém já ouviu falar?

Dona de um encanto surpreendente, mas de uma intimidade reservada, jamais comentada. Conhecida diante das telas, desconhecida fora delas. O fenômeno Greta Garbo fez história na sétima arte. Conheça um pouco dessa mulher misteriosa que encantou multidões e deixou a sua marca no cinema.


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O nome parece conhecido, como se já tivesse sido citado inúmeras vezes, mas nem sempre é possível lembrar. Quem é ela exatamente? Alguém já ouviu falar? Todos já ouviram, mas nem todos lembram. Greta Garbo, ou, Greta Lovisa Gustafsson, nascida em 18 de setembro de 1905 em Estocolmo, na Suécia, o grande e misterioso ícone do cinema.

Atriz sueca de grande sucesso e prestígio, que conseguiu despertar o cinema e o público aos seus encantos de mulher enigmática. Enigma talvez seja a palavra que melhor a descreva. Dona de um encanto surpreendente, mas de uma intimidade reservada, jamais comentada, sem coleção de escândalos. Conhecida diante das telas, desconhecida fora delas.

Uma atriz excepcional e misteriosa, uma lenda da sétima arte. A Greta atriz foi muito famosa, a Greta pessoa, não se sabe muito dela, não se deixava descobrir. Não completamente conhecida, mas não totalmente esquecida. Greta Garbo fez história no cinema, sua história pessoal, poucos sabem.

O que se sabe do Enigma Greta

Caçula de três filhos do casal Anna Lovisa Johansson (1872-1944) e Karl Alfred Gustafsson (1871-1920), Greta foi a estrela que brilhou na sétima arte. Os dois irmãos, Sven (1898-1967) e Alva Gustafsson (1902-1926) tentaram trilhar carreira artística, mas nenhum deles conseguiu chegar tão longe quanto a irmã mais nova.

Em 1920 Greta perde o pai e deixa a escola para começar a trabalhar. Inicialmente, como “a moça do creme de barba” numa barbearia da rua Horn, depois, em uma loja maior, na rua Göta. Mais tarde ela iniciaria seu estrelato no cinema, com filmes publicitários, um deles, para lojas de Estocolmo.

Os primeiros aconteceram quando foi garota propaganda de filmes publicitários de produtos de padaria da Associação Cooperativa dos Consumidores de Estocolmo. Ambos os filmes foram dirigidos pelo "capitão" Ragnar Ring (1882 - 1956), ex-oficial da cavalaria e escritor contratado pela PUB para fazer comerciais da linha de roupas femininas.

O que logo chamou a atenção foi o humor peculiar de Greta. A descoberta do talento para a dramaturgia a levou a estudar arte dramática na Academia Real de Teatro Dramático, de 1922 a 1924, onde o diretor finlandês Mauritz Stiller (1883 – 1928) se encantou com a performance elegante e graciosa de Greta. Apesar de muitas tentativas de parcerias, Stiller e Garbo fizeram juntos apenas o filme A Lenda de Gösta Berling, de 1924.

Stiller a levou para a Alemanha, onde o expressionista alemão Georg Wilhelm Pabst (1865-1967) convidou a jovem para participar do filme A Rua das Lágrimas, de 1925. Mas não foi apenas o diretor Pabst que se encantou, o magnata que comandava a MGM na época, Louis B. Mayer (1885-19570) adorou Greta no filme A Lenda de Gösta Berling e ofereceu a ela e ao mentor, Stiller, um contrato para trabalhar em Hollywood.

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Greta Garbo em Grande Hotel - 1932

Existe uma dezena de lendas acerca da mudança do nome da atriz, que se transformou oficialmente em Greta Garbo em 1924. Mesmo já em Hollywood, ela demorou um pouco para fazer sucesso. Alguns obstáculos barravam Greta, e um deles era a língua. Ela não dominava completamente o inglês e sua aparência, na época, precisava mudar. Depois de uma dieta rígida e a correção de um pequeno defeito no dente direito, que era bastante aparente, nasce a nova Greta Garbo, que, pouco tempo depois, falava um inglês exótico e já se portava como a dama enigmática que fez história.

Enquanto aguardava o estrelato definitivo, fez fotos com Arnold Genthe (1869 – 1942). A sessão fotográfica foi publicada meses depois na Vanity Fair. As fotos também chegaram aos executivos da MGM, que viram a sensualidade da jovem e apostaram no seu talento. Quando o filme Os proscritos, de 1926, estreou em Beverly Hills, os críticos e executivos da MGM apostaram alto no talento da atriz, que hipnotizou o público.

Por duas décadas Greta Garbo foi a atriz mais famosa do cinema mudo, algo difícil de manter em Hollywood. Foi a estrela de filmes como Terra de Todos (1926), que foi iniciado por Stiller e concluído por Fred Niblo (1874-1948), A Carne e o Diabo, de 1927, Love, de 1927 e o Beijo, de 1929, de Jacques Feyder (1885-1948). Seu jeito diferente de atuar encantava, pois atuava através de seu rosto, olhos, mãos, seu andar curvado e sua sutileza.

Um dos filmes de maior sucesso de sua estrondosa carreira foi Grande Hotel, de 1932, onde tornou famosa a frase: "I want to be alone". Temia-se que o dinheiro gasto com os altos salários jamais pudesse ser recuperado nas bilheterias, o resultado, no entanto, foi sucesso extremo, culminando com o Oscar de Melhor Filme de 1932.

Garbo foi colecionando boas críticas e indicações ao Oscar de Melhor Atriz com grandes sucessos como A Dama das Camélias (1936) e Ninotchka (1939), porém jamais conquistou a estatueta da Academia, a não ser um prêmio honorário que recebeu quando já tinha abandonado as telas.

Aos 36 anos de idade, após Duas Vezes Meu, de 1941, abandonou o cinema. Muitas teorias foram criadas a partir da desistência de Garbo de atuar. Das tentativas de retorno que houveram, nenhuma a trouxe definitivamente de volta ao cinema. A crítica a incomodava, seus “tutores” não eram muito compreensivos e Garbo acabou não retornando mais à atuação.

Apesar do mito Greta Garbo ter sido um grande obstáculo às suas tentativas de retorno ao cinema, ela acabou se apaixonando pela arte e adquiriu muitas obras em suas viagens pelo mundo. Seus últimos anos foram vividos reclusos em um apartamento de sete quartos em Nova Iorque. Sempre solitária, evitava a todo custo contato com a imprensa. Em 15 de abril de 1990, faleceu no New York Hospital, por causa de complicações geradas por uma pneumonia.


Micheli Biek

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