pelo avesso

O impacto do mundo lá fora aqui dentro de nós

Ana Macarini

As palavras que escrevo não me pertencem. Elas são resultado da minha interação com o mundo. São células de mim, que morrem no papel e renascem nos olhos de quem as lê

ENGOLE ESSE CHORO!

Supondo que tenha cabido a você possuir uma mãe, digamos, que não primava pela doçura. Certamente você foi "convidado" a engolir o choro algumas vezes. É, meu amigo, não é fácil não! A garganta arde, os olhos queimam e o sangue ferve. Porém, diante da autoridade instituída, não dá pra desconsiderar uma ordem dessas. Mas... Quer saber?! Tem gente que precisa MESMO aprender a engolir o choro e assumir que a vida não espera ninguém ficar pronto pra acontecer.


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Enquanto o mundo caminha por trilhas acidentadas, cheias de percalços e surpresas, ainda há quem espere por soluções mágicas para seus problemas ou por golpes de sorte para alcançar uma vida bem sucedida. Em geral, esse modelo de pessoa, é fruto de uma educação exageradamente permissiva ou super protetora. Adultos na contagem dos anos, mas crianças eternizadas, acostumadas a depender de alguém até para suprir necessidades básicas, como comer ou dar conta de chateações do cotidiano, como trocar o óleo do carro. Essas pessoas deveriam ser interditadas. Engana-se, porém, quem acredita que elas sejam uma raridade. Há um sem número dessa gente espalhada por aí.

Você olha em volta e vê um mundo em crise. Respostas prontas e ideais de estabilidade foram removidos para outro sistema solar. Nada vem com termo de garantia na vida. O fato de ter sido beneficiado com uma formação educacional acima da média ou ter tido a rede de proteção e orientação da sua família não são o suficiente para fazer você tomar impulso na direção de uma vida autônoma e independente. As rédeas da sua vida só serão suas de fato se você entender que a vida é um cavalo selvagem, bem diferente do pônei adestrado e colorido que prometeram a você, ou que você achou que prometeram.

A liberdade não tem nenhuma relação com ideais românticos. A liberdade é conquista árdua, construída com muito trabalho, pouca frescura e nenhuma acomodação. A conquista da liberdade depende do completo comprometimento daquele que a almeja. Ninguém pode considerar-se realmente livre se não estiver disposto a entender que é indispensável abrir mão de requintes luxuosos como depender de alguém para cuidar de suas experiências pessoais.

Sim, chorar faz parte do processo de amadurecimento. Há momentos na vida em que só mesmo uma correnteza de lágrimas é capaz de lavar a dor. É indicado chorar quando doer demais. Desaguar a represa de angústias e incertezas que paralisam sua força criadora. Entretanto, é preciso cuidado para não alimentar lágrimas preguiçosas que resistiram à correnteza do choro e escolheram promover um manifesto lento e degradante de queixa perpétua.

Poucas coisas são mais ridículas do que adultos que passam a maior parcela de seus dias cultuando o descontentamento com seu destino. Reclamam do tempo, reclamam do trabalho, reclamam das pessoas, reclamam da vida. Lembram filhotes desmamados antes da hora, perdidos numa busca eterna pela chupeta da dependência emocional.

Supondo, então, que não tenha cabido a você a mãe enérgica lá do primeiro parágrafo. Supondo que você tenha andado meio manhoso e aborrecido porque ninguém percebe o quanto a sua vida é difícil e BLA BLA BLA... Quer saber?! Engole esse choro e assume que já passou da hora de assumir que essa vida aí que você acha tão injusta é, nada mais nada menos, que o único resultado possível pra sua falta de vontade de mudar, pra sua preguiça mental, pra sua paralisia emocional. Acorda, criança fora de época! O mundo girou, a vida mudou e você não viu porque estava ocupado choramingando!


Ana Macarini

As palavras que escrevo não me pertencem. Elas são resultado da minha interação com o mundo. São células de mim, que morrem no papel e renascem nos olhos de quem as lê.
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