pelo avesso

O impacto do mundo lá fora aqui dentro de nós

Ana Macarini

As palavras que escrevo não me pertencem. Elas são resultado da minha interação com o mundo. São células de mim, que morrem no papel e renascem nos olhos de quem as lê

PROFESSOR: UMA ESPÉCIE EM EXTINÇÃO

Ser professor é ter uma estranha mania de acreditar que o impossível não existe!


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Para ser professor é preciso nascer professor. Qualquer um é capaz de aprender inúmeras teorias, conceitos e estratégias. Mas não se aprende a ser professor. Não há neste mundo, e desconfio que em nenhum outro, curso de formação que dê conta de transformar uma pessoa comum em professor. Nasce-se com a alma pronta para ser professor. Trata-se de uma mistura estranha de coragem com doçura; de responsabilidade com leveza; de sabedoria com humildade; de curiosidade sem fim com capacidade de se entregar ao silêncio; de achar beleza no erro e entender que o acerto é absolutamente relativo; de acordar acreditando que é possível cooperar com a evolução de todos e de adormecer sonhando em como fazer isso.

Ser professor é pensar todos os dias na missão social diante deste seríssimo trabalho que se escolheu abraçar. É estar disposto a entender que as pessoas, em sua maioria, acostumam-se facilmente a TER, sabem muito pouco sobre SER e têm experiências distorcidas com o SENTIR. Ser professor é não permitir-se desvincular a missão de instruir, oferecer e nutrir almas com conhecimentos significativos para a vida, da missão política de ajudar a pensar sobre o mundo que nos cerca, dentro do qual estamos inseridos e pelo qual somos responsáveis.

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Todos os dias passam pela vida de cada professor inúmeras vidas tão diversas e, justamente por isso, tão interessantes! Quanta responsabilidade! São as suas ações que vão influenciar as ações deles e, não as suas palavras. Mais do que vigiar o que faz, é preciso ser fiel ao que pensa e revela. Caso contrário esse professor será uma fraude absoluta e correrá o risco de não significar nada no processo de formação de seus alunos, ou pior, torná-los insensíveis ao que é verdadeiro ou ilusório.

Professores e alunos formam um poema de estrofes entrelaçadas; cada sucesso merece a comemoração de todos e cada insucesso merece a reflexão daquele que assumiu a tarefa de educar, sua auto-avaliação, postura humilde e maior dedicação. As experiências vividas em conjunto tecem o futuro. O contato pleno entre alunos e professores garante que ninguém permanecerá hoje o que era ontem e certamente será amanhã uma nova pessoa. É isso a vida: desafios, transformação e possibilidades! Cada grupo de alunos seja formado por crianças; adolescentes ou adultos representa a essência da esperança numa vida diferente desta que temos hoje como modelo: falta de esperança no compromisso dos dirigentes; frustração diante da desvalorização do saber; banalização da violência. São tantos os motivos que podem fazer o mais idealista dos professores desistir.

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Mas a essência daquele que já nasceu professor vê em cada um dos pares de olhos à sua frente um motivo a mais para levantar tão cedo, acreditar que a evolução do ser humano ainda é possível e reforçar o que eu há muito tempo já sabia: Nasce-se professor! Existe alguma força dentro de quem nasce assim que vive inquieta e nutrida de esperança! Há a consciência de que haverá sempre o que descobrir; retomar; reconstruir; comemorar! Afinal cada vida que se toca passa a ser parte da vida de quem a tocou. Aqueles que nasceram professores sentem no centro de suas almas que precisam tirar de si o substrato de vida mais puro e honesto para fazer pelo outro se não tudo, porque tudo pode soar como soberba, a parte que lhes cabe com a mais profunda reverência e o mais verdadeiro amor.


Ana Macarini

As palavras que escrevo não me pertencem. Elas são resultado da minha interação com o mundo. São células de mim, que morrem no papel e renascem nos olhos de quem as lê.
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