perplexidade e silêncio

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Ruh Dias

Quando criança, quis ser astronauta. Adolescente, quis ser filósofa, cineasta, fotógrafa. Sempre quis ser escritora. Hoje, só quero ser eu mesma.

Ah Virgínia, a luta continua!

Virgínia Woolf é mais conhecida como uma escritora sensível e dolorida. Mas, além de sua melancolia, havia uma mulher feminista e na vanguarda pelo direito à liberdade das mulheres.


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Domingo, almoço em família. Minha avó comenta sobre uma prima que, após o "desquite", viu-se sem eira nem beira, pois o (ex) marido nunca a deixou trabalhar e agora ela não sabe o que fazer para seguir com a vida. Poderia ser início do século 19, mas foi ontem - 2014, fevereiro.

Fiquei perplexa: por que permitir que uma outra pessoa defina os limites de você mesmo(a)? Dar ao outro o poder de te definir, restringir - impedir as suas opções, negar as possibilidades e não permitir conhecer quem se realmente é.

Posso facilmente continuar na busca dos por quês, mas teve alguém que fez mais do que eu: Virgínia Woolf. E ela o fez lá pelos idos de 1900.

Seu marido era editor e, claro, publicava suas obras. Naquela época, ela jamais conseguiria publicar um livro sendo uma mulher (ops, J. K. Rowling abreviou seu primeiro nome para que não soubessem que era uma mulher no início de sua carreira, então acho que o cenário ainda não mudou tanto assim!). Acreditavam, então, que Virgínia já tinha ido longe demais e não devia ousar sonhar mais alto - afinal, ela já era escritora, o que mais uma mulher pode querer ser?

Ela queria morar na cidade grande. Não ser cobrada a ter filhos e cuidar da casa e da família. Poder angustiar-se com a vida em paz - poder viver seus próprios paradoxos e encontrar suas próprias respostas. Queria fugir e, depois, voltar. Ter uma voz própria sem edições. Não queria bordar, tecer, cozinhar: Virgínia só queria ser ela mesma.

Não me preocupo se seus princípios eram politizados, bem argumentados ou bem defendidos. O que me importa, de fato, é a inspiração: a luta das mulheres para encontrar sua essência real e não a que é determinada pela sociedade/marido/mídia/medos. Aquela que pulsa lá no fundo e, muitas vezes, dói.

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Hoje, quando vi o livro de Virginia Woolf "Profissões para mulher e outros artigos feministas" na banca de jornal, me dei conta do quanto ainda é preciso lutar para que as mulheres conquistem sua própria identidade. E me dei conta de que a morte dela não foi em vão.

Não pode ter sido em vão.


Ruh Dias

Quando criança, quis ser astronauta. Adolescente, quis ser filósofa, cineasta, fotógrafa. Sempre quis ser escritora. Hoje, só quero ser eu mesma..
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