perplexidade e silêncio

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Ruh Dias

Quando criança, quis ser astronauta. Adolescente, quis ser filósofa, cineasta, fotógrafa. Sempre quis ser escritora. Hoje, só quero ser eu mesma.

Cinco anti-heroínas do cinema

Em dias que me sinto pouco, que não me acho ou que não desejo meu próprio encontro, estas personagens anti-tudo são um alívio.


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Gosto de vilões e anti-heróis. Nunca fui menina de comédia romântica, de príncipe encantado e todos aqueles certos-e-errados pré-definidos. Nada mais motivante do que um anti-herói bem construído, fazendo tudo certo pelos motivos mais egoístas, perturbados e tortos. Não acredito tanto assim em altruísmo para achar que heróis são possíveis.

Muito menos as heroínas. Uma mulher de personalidade forte não fará decisões comuns, muito menos agradará a todos. Mas é tão bonito ser inspirada por exemplos de atitude em dias que acordo me sentindo pouco-eu, exemplos como:

5 - Evey Hammond(V de Vingança) evey.jpg

Evey (Natalie Portman) é a personagem criada por Alan Moore para a HQ "V de Vingança", depois adaptada para o cinema e interpretada pela belíssima Natalie. Desconsiderando as diferenças entre a Evey dos quadrinhos e a Evey do cinema, ambas tem em comum a essência revolucionária. Evey se vê envolvida na trajetória de V contra o governo e não se satisfaz em ser uma mera observadora: pouco a pouco, o desejo de derrubar o sistema toma conta dela, e o início deste processo é retratado no filme como a polêmica cena em que Evey fica careca. Uma mulher abdicar dos cabelos não deveria ser tão chocante para a sociedade, mas ainda é, e representa a transgressão de um limite. Evey não decide se filiar à causa de V pelo bem da sociedade - uma heroína faria isso. Ela age pelo próprio V, pela gratidão (ou será amor?) que tem por ele e pela continuidade de seu legado.

4 - Amélie Poulain (Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain) ap1.jpg

Amèlie (Audrey Tatou) é garçonete, tímida e fechada. Tem pequenas crises de angústia e é melancólica. Nem chega a ser bonita. Sua personagem poderia ter sido construída como oposto de tudo isso, afinal, o filme é uma comédia romântica parisiense. Mas o charme dela é exatamente não ser. Ela tem dificuldades de envolvimento com seu par romântico, sente medo, se isola e quase - quase! - decide ser sozinha para sempre. Uma anti-heroína doce e esquisita.

3 - Beatrix Kiddo (Kill Bill I e II) bk.jpg

Beatrix Kiddo (Uma Thurman) é uma assassina criada pela própria Uma Thurman e pelo Quentin Tarantino quando ambos trabalharam em Pulp Fiction. Inclusive, poderíamos falar de Mia Wallace em vez de Beatrix Kiddo, mas a segunda tem algo delicioso: paixão. Está quase sempre coberta de sangue, descabelada e sente um ódio muito profundo. Ainda assim, torci em cada minuto que ela alcançasse sua vingança, e pouco me importei que ela não agisse da forma convencional - ao contrário, apoiei.

2 - A Mulher Gato (Batman) mg.jpg

Novamente, desconsiderando as diferenças entre a Mulher Gato das HQs e todas suas versões do cinema, ela é uma anti-heroína clássica: rouba, furta, mente e seduz, apenas em benefício próprio. Não é movida por impulsos de levar a riqueza aos pobres. Não possui definidos os princípios da moral e da lei, e não se importa com isso. Ainda assim, não pode ser considerada uma vilã - ela também não causa mal propositalmente. Ela causa o mal como um efeito colateral, apenas porque quer um desafio, uma fuga do tédio e, acima de tudo, de si mesma.

1 - Morgana (Brumas de Avalon) morgana.jpeg

Morgana é uma personagem tão antiga que ninguém sabe ao certo quando ela foi criada. Há quem acredite que ela não foi inventada, e sim, inspirada em uma mulher que realmente existia na corte do Rei Arthur. Prefiro acreditar na segunda versão. Sacerdotisa, foi (e é) confundida com bruxas más de contos de fada. Era inteligente - mais inteligente que a maioria dos homens de sua época - profunda e filosófica. Era feia, viveu um profundo desamor e fez o que tinha que ser feito com seus feitiços e poções - nem sempre escolhas pelo bem, e nem sempre pelo mal. Morgana dá poder e autoridade às mulheres quando elas eram subjugadas pelo preconceito de uma sociedade puramente masculina.

Todas elas tem em comum o que é a essência da beleza de uma mulher: não ter medo de si mesma, mesmo que os outros tenham medo dela.


Ruh Dias

Quando criança, quis ser astronauta. Adolescente, quis ser filósofa, cineasta, fotógrafa. Sempre quis ser escritora. Hoje, só quero ser eu mesma..
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