perplexidade e silêncio

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Ruh Dias

Quando criança, quis ser astronauta. Adolescente, quis ser filósofa, cineasta, fotógrafa. Sempre quis ser escritora. Hoje, só quero ser eu mesma.

O poder de cura da arte

Reflexões de uma psicóloga sobre o poder da arte na re-construção dos nossos mundos.


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Recentemente, me encantei com o trabalho da fotógrafa polonesa Laura Makabresku, pois havia algo de real e dolorido em suas criações que me pareceram ser autênticos, e não composições puramente belas sem significado. Daí, em minhas pesquisas, descobri que ela tem esquizofrenia, o que contribuiu para as minhas reflexões.

Acredito que costumamos pensar em esquizofrênicos como sujeitos fragmentados que não seriam capazes de construir símbolos que fossem compreendidos pelos demais. Talvez formemos esta imagem a partir de pedacinhos de estereótipos que vemos por aí: filmes, novelas, livros, mendigos na rua, e assim por diante. No entanto, a esquizofrenia é uma das doenças mentais mais criativas que existem - e não estou sendo pejorativa, tampouco irônica. Existem diversos trabalhos científicos a respeito, mas não é o objetivo deste texto fazer uma defesa ou resumo deles.

No caso da fotógrafa, Laura Makabresku, a presença da arte como remédio, como cura ou como alívio ao tumulto que existe dentro dela, é evidente. Sem poder conviver com muitas pessoas nem passar por mudanças bruscas (hoje com 26 anos, ela namora o mesmo rapaz desde a adolescência e mora em uma cidade calma e afastada da Polônia), pois ambas poderiam desencadear os surtos de esquizofrenia, seu refúgio são suas fotos. Mais do que um mero passatempo, é nas imagens que Laura tem a capacidade de juntar seus pedacinhos, dispersos e bagunçados, em cenas completas e reais, que os olhos podem ver e a mente pode compreender.

Laura - ou qualquer outra pessoa na mesma situação - poderia valer-se de outras formas de arte como cura para seus males: poderia ser a música, a pintura, a escrita ou mesmo a dança. Tanto faz. O que importa é que a arte proporciona à mente uma forma para a angústia sem forma, um significado para os pensamentos sem sentido, dão uma cara aos sentimentos confusos e tudo isso, todo esse pacote de criações, traz ao sujeito aquela sensação ótima e engrandecedora de controle sobre si mesmo.

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Mais do que isso, tamanha grandeza artística e pessoal nos faz admirar não só a arte, mas a pessoa por trás da arte. Acredito que todos, uma vez na vida, tenham perdido a cabeça, e tenham sentido como é desesperadora a sensação de estar na borda da loucura. Aqueles que, todos os dias, vão e voltam desta borda, são merecedores de respeito. Aqui fica o meu respeito à Laura e a quem mais precise da arte para não perder a si mesmo (e me incluo nesta lista).


Ruh Dias

Quando criança, quis ser astronauta. Adolescente, quis ser filósofa, cineasta, fotógrafa. Sempre quis ser escritora. Hoje, só quero ser eu mesma..
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