perplexidade e silêncio

Encontrando poesia e bonitezas da vida por aí.

Ruh Dias

Quando criança, quis ser astronauta. Adolescente, quis ser filósofa, cineasta, fotógrafa. Sempre quis ser escritora. Hoje, só quero ser eu mesma.

O que aprendi com as minhas séries de TV favoritas

Entretenimento também pode ir além da diversão e nos ensinar algumas coisinhas para viver melhor por aí.


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Todos nós temos uma meia dúzia de seriados favoritos. São aqueles que assistimos e re-assistimos e assistimos de novo, e depois mais uma vez, sempre que possível. Não enjoamos das personagens, das piadas e das histórias, mesmo já sabendo todas as falas e todos os acontecimentos.

O sucesso de algumas séries vem desta capacidade de falar com o público como se cada diálogo ou fato do roteiro tivesse sido criado somente para nós, e não para os milhares de expectadores lá fora. Acredito que ficamos tão presos à estas séries por causa do que elas nos trazem de benefícios e pelos sentimentos positivos que elas nos geram. Não é somente a trama ou o bom roteiro que nos prende a elas indefinidamente, e sim, nossa identificação com o que acontece ali naquele micro-universo inventado.

A minha ponderação sobre este assunto começou com o aniversário de 10 anos do término de F.R.I.E.N.D.S. Por que, depois de tantos anos, eu continuo assistindo todos os episódios incansavelmente? E daí em diante, me peguei elencando mentalmente o que aprendi com as minhas sérias de TV favoritas - que não são muitas.

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Em um dos episódios com o 11º Doctor (Matt Smith), eis que aparece Van Gogh, com suas torturas e depressão. O episódio inteiro é muito marcante, pois - além da diversão e das explosões - lida com assuntos pesados como depressão e angústia, de um jeito bastante poético. O que aprendi com este episódio especificamente se traduz através desta fala: "Da forma que vejo, toda vida é uma pilha de coisas boas e ruins. As boas nem sempre amenizam as coisas ruins, assim como as ruins nem sempre estragam as boas ou as tornam menos importantes. Nós definitivamente acrescentamos algo de bom na vida dele." Esta frase é dita pelo próprio Doctor, quando ele faz uma reflexão sobre a vida sofrida que Van Gogh levou. Lembro que, quando assisti pela primeira vez, este momento do episódio me marcou muito. Realmente, não podemos impedir que, na vida, tenhamos nossa pilha de coisas ruins, mas o foco deve ser sempre a pilha das coisas boas, afinal de contas. "Apesar de", como diria Clarice Lispector.

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Logo no primeiro episódio da série, Monica (Courtney Cox) diz para Rachel (Jennifer Aniston): "O mundo real é uma droga. Você vai adorar!" E, de fato, ao longo de toda a série, todas as personagens passam por dificuldades que qualquer um de nós pode enfrentar ou já vivenciou em nossas vidas: divórcio, separação, gravidez, mudanças, empregos, etc. Mas, o que aprendi com a série é que, de fato, tudo sempre acaba bem no final. Não importa quão difícil seja uma situação - se temos um pouco de bom humor, paciência e pessoas para nos ajudar, realmente, tudo se supera. Tenho o hábito de assistir F.R.I.E.N.D.S. em dias mais tristes e mais cinzas, pois a visão positiva e engraçada de todas as situações sempre me acalma e me conforta.

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One Tree Hill é um seriado adolescente que eu adorava assistir e não tenho vergonha nenhuma de assumir. Ao longo da série, que durou nove anos, as personagens foram crescendo e tornando-se adultas e mais maduras, sofrendo diversas tragédias (grandes e pequenas) ao longo do percurso. O que mais me marcou nesta série é a cena onde Brooke Davies (interpretada por Sophia Bush, na foto) precisa se definir em uma palavra para o livro do anuário e não consegue encontrar nenhuma, pois não se considera suficiente para nada. Esta sensação de não ser inteligente, bonita ou capaz o suficiente é algo constante em mim (e deve aparecer em você também, mesmo que às vezes). No entanto, ao longo da história, a personagem se torna tão forte e tão autêntica que é impossível não admirá-la.

Quando penso sobre o que realmente fez diferença do que assisti em seriados, são estes os três momentos principais. Claro que se dedicarmos mais tempo ao assunto, encontraremos mais aprendizados. E você, quais são os seus?


Ruh Dias

Quando criança, quis ser astronauta. Adolescente, quis ser filósofa, cineasta, fotógrafa. Sempre quis ser escritora. Hoje, só quero ser eu mesma..
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