perplexidade e silêncio

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Ruh Dias

Quando criança, quis ser astronauta. Adolescente, quis ser filósofa, cineasta, fotógrafa. Sempre quis ser escritora. Hoje, só quero ser eu mesma.

O que Chimamanda Ngozi e Lisa Simpson tem em comum?

Se Chimamanda Ngozi e Lisa Simpson escrevessem um livro juntas, eu seria a primeira a comprar!


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Chimamanda Ngozi ficou mais conhecida entre o grande público, recentemente, por ter sido mencionada pela Beyoncé em uma de suas músicas. Beyoncé citou um trecho do discurso de Chimamanda entitulado “We should all be feminists” (Todos nós deveríamos ser feministas). Claro, Chimamanda vai muito além disso. Nascida na Nigéria em 1977, Chimamanda Ngozi é ativista contra o racismo e contra o machismo. Escreveu diversos livros, ganhadores de diversos prêmios, mas acho que não é isso que realmente interessa, e sim, o que ela tem a dizer.

Minha frase favorita dela é sobre os estereótipos que a sociedade (ou seja, nós mesmos) cria: “The single story creates stereotypes, and the problem with stereotypes is not that they are untrue, but that they are incomplete. They make one story become the only story.” (Uma única história cria estereótipos e o problema com os estereótipos não é que eles sejam mentiras, mas que eles sejam incompletos. Eles fazem uma história tornar-se a única história.”)

Esta frase dela me remete a uma outra grande feminista do mundo contemporâneo: Lisa Simpson. Quem já assistiu o programa com um olhar mais atento, percebeu que Lisa é uma ótima porta-voz do feminismo, por encarnar uma personagem feminina completamente avessa aos padrões norte-americanos: Lisa não é popular, não tem seios grandes, não é sexualizada e não é burra. Ela é o anti-estereótipo do que uma menina / mulher deve ser, e isso é delicioso de assistir!

thumb.jpg "Ser eu mesma? Tenha sido eu mesma por oito anos e não tem dado certo!"

Voltando à Chimamanda, o mais interessante é que ela não escreve discursos teóricos chatos e intermináveis. Ela coloca seus ideais de sociedade e de mulher em forma de ficção. No livro “Americanah”, por exemplo, ela conta a história de uma nigeriana que vai aos EUA estudar em Princeton e, lá chegando, se depara com diversas situações de racismo e machismo. Através da ficção literária, Chimamanda trata e expõe pontos importantíssimos a serem discutidos.

tumblr_mhrven5fSf1qfrrv2o1_500.png "Você não entende! Não pertenço a este lugar!"

Lisa Simpson sabe bem o que é não pertencer a um lugar que você deveria exercer na sociedade, mas não quer ou não concorda. Acredito que sua mãe, Marge, por ser conservadora e o exemplo americano de dona-de-casa perfeita, é o contraponto necessário para ressaltar a autenticidade e o poder de mudança que existe em Lisa. Mais uma vez, a ficção procurando mexer nos valores deturpados tão enraizados na sociedade.

Outra frase de Chimamanda que adoro é: “The problem with gender is that it prescribes how we should be, rather than recognizing how we are.” (O problema com os gêneros é que eles predizem como você deveria ser, em vez de reconhecerem quem realmente você é). Não é verdade, Lisa?

tumblr_mby3tvo71G1qa0ak1o1_400.jpg - Mas estou tão brava! - Mas você é uma mulher! Pode guardar isso para sempre!

“I am a person who believes in asking questions, in not conforming for the sake of conforming. I am deeply dissatisfied - about so many things, about injustice, about the way the world works - and in some ways, my dissatisfaction drives my storytelling.” (Eu sou uma pessoa que acredita em fazer questionamentos, e não se conformar por se conformar. Eu sou profundamente insatisfeita – sobre muitas coisas, sobre injustiça, sobre como o mundo funciona – e, de alguma forma, minha insatisfação me motiva a escrever.”

thumb (1).jpg "Todo o maldito sistema está errado!"

É, Chimamanda, Lisa concorda com você.

Não quero, aqui, me estender sobre Chimamanda. As informações sobre ela estão espalhadas pela Internet para quem se interessar. O que eu quero aqui é inspirar – você, eu mesma, qualquer um – a ser mais uma voz nessa luta das duas.

Bônus: O discurso completo de “We should all be feminists” pode ser assistido aqui.


Ruh Dias

Quando criança, quis ser astronauta. Adolescente, quis ser filósofa, cineasta, fotógrafa. Sempre quis ser escritora. Hoje, só quero ser eu mesma..
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