perplexidade e silêncio

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Ruh Dias

Quando criança, quis ser astronauta. Adolescente, quis ser filósofa, cineasta, fotógrafa. Sempre quis ser escritora. Hoje, só quero ser eu mesma.

A ciência da felicidade

O que é a felicidade para você? Para a ciência, garanto que é outra coisa.


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Ser feliz é uma coisa difícil. Envolve diversos aspectos que variam de pessoa para pessoa, de cultura para cultura, de contexto para contexto. E, quanto mais complexa a sociedade, mais complexo o conceito do que é ser feliz. Porém, a ciência tem definições bem precisas do que é a tal da felicidade.

O cérebro tem um gerente da felicidade, o Hipocampo. Ele é responsável por administrar o arquivo da nossa memória, jogando fora o que ele acha que não usaremos e mantendo aquilo que ele entende que é importante. Se, de repente, lhe surge uma lembrança que estraga seu dia, culpe ele. Do mesmo jeito, se você se recorda de um momento muito especial e que lhe enche o coração de alegria, agradeça-o. Além disso, o Hipocampo também manda no sistema límbico, que é o que regula nossas emoções e comportamentos.

Como gerente, o Hipocampo não faz tudo sozinho, ele precisa de um assistente, e este assistente é a Serotonina. Ela é um hormônio que facilita as mensagens entre os neurônios, fazendo com que nós percebamos o ambiente ao nosso redor e saibamos qual é o comportamento mais adequado a adotar. Ela também regula sono, apetite e disposição para as atividades.

A ciência também traz outros aspectos que influenciam nas atividades cerebrais que promovem a felicidade, como, por exemplo, atividades a céu aberto com temperaturas amenas por cerca de 20 minutos. Ou, então, levar uma vida saudável (exercícios físicos regulares, alimentação balanceada, horas adequadas de sono) faz com que as pessoas sejam 20% mais felizes. Ambos exemplos são explicados pela liberação de proteínas e endorfinas, que fazem mais ou menos o mesmo que a Serotonina.

Outro estudo da ciência mostra que dormir nos deixa felizes. Em um estudo feito recentemente, as pessoas privadas de sono tinham pensamentos mais negativos do que aquelas que puderam dormir.

Todas estas explicações vieram como uma tentativa de entender os mecanismos da felicidade para tratar pessoas com depressão. São avanços que a ciência proporciona, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida de todos. Válido? Com certeza.

Mas estas explicações exatas tiram um pouco da poesia do mundo, na minha opinião. A ciência pode me explicar por A + B que fico triste porque o Hipocampo resolveu tirar um dia de folga, mas lá dentro de mim, não é isso que eu sinto. A ciência pode me dizer que eu sorri porque a Serotonina está super motivada a trabalhar naquele dia, mas acho que é mais do que isso. Eu quero que a felicidade seja mais do que uma equação química balanceada, pois não quero que a beleza das coisas e da vida se perca em meio a teias de neurônios.

E, se não houver um pouco de poesia e de magia no mundo ao nosso redor, não há Serotonina capaz de reverter a situação. A sensação de bem-estar pode ser explicada pela ciência, mas a felicidade genuína e pura de pertencer a uma realidade bonita, acho que esta nunca terá explicações exatas.


Ruh Dias

Quando criança, quis ser astronauta. Adolescente, quis ser filósofa, cineasta, fotógrafa. Sempre quis ser escritora. Hoje, só quero ser eu mesma..
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