perplexidade e silêncio

Encontrando poesia e bonitezas da vida por aí.

Ruh Dias

Quando criança, quis ser astronauta. Adolescente, quis ser filósofa, cineasta, fotógrafa. Sempre quis ser escritora. Hoje, só quero ser eu mesma.

Todo mundo já se sentiu sozinho

Um pequeno guia prático de como lidar com a solidão


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Se eu te der cinco minutos para lembrar de um momento em que você se sentiu tremendamente sozinho, provavelmente você se recordará de mais de um. Faz parte da experiência humana passar pela solidão e pelos sentimentos esquisitos que - às vezes - ela traz consigo: abandono, isolamento, desilusão, angústia. Digo "às vezes" pois reconhecemos que um pouco de solidão é interessante para a vida - nos renova, nos coloca nos eixos, nos faz pensar. Mas ah!, existe uma solidão que pode ser vilã, e é com ela que eu me preocupo. Você não?

Em cinco minutos, lembro de vários momentos em que me senti sozinha e perdida, e estes momentos estão distribuídos ao longo dos meus trinta anos. Eles, inclusive, me vêm à mente em ordem cronológica, em uma demonstração incrível de organização. Com eles - os piores - aprendi alguns truques para não deixar a solidão ruim me vencer. Alguém aí precisa de um guia prático? Pois bem.

Começo com esta simples recordação: não estou sozinha em me sentir sozinha. Você clicou neste texto, provavelmente porque se identifica com o assunto. Já somos duas pessoas tentando lidar com a solidão. Provavelmente, somos milhares delas por aí.

Em seguida, percebo que preciso ficar sozinha quando me sinto só, o que é um baita de um paradoxo. Forçar uma alegria dói mais, acredite: já tentei a técnica de "sair para esquecer a solidão" e isto me deixou ainda pior. Um pouco de introspecção não mata, não. O que vale aqui é a dica de se respeitar. Não dá para ser feliz o tempo todo, embora nós vivamos numa sociedade que exige isso de nós.

Depois, me lembro de algo importante: tudo bem que estou perdida. Acontece. O que vai fazer diferença é a atitude que vou ter diante desta sensação, afinal, é impossível estar "achada" o tempo todo. Isso significaria que eu precisaria ser uma pessoa que sempre sabe o que quer, como, quando e onde, e o sempre é algo muito definitivo para qualquer pessoa. Com isso, o guia prático tem uma lição maior, que é a da aceitação. Não conformismo, que é outra coisa. A vida não é como planejamos, para ninguém, logo, aceitar é a escolha mais saudável.

O mais legal de aceitar as mudanças é que isso significa que estamos nos aceitando. Nós mudamos e, muitas vezes, precisamos deixar quem éramos para trás, lá no passado, onde aquele "eu" pertence. A criança que vive para agradar os pais, a mulher que acha que precisa fazer todas as vontades do parceiro, o adolescente que sente que deve gostar de futebol para ser considerado um homem. Estas besteiras que a gente acredita tão piamente que se tornam uma verdade.

E agir. Ou melhor, re-agir. Esta parte é complicada, eu sei, mas só o que está morto não se mexe. É da lei da natureza que, uma hora ou outra, a gente se movimente, aja, faça alguma coisa. Sem medo do que os outros vão pensar e sem medo de errar (taí, o medo é um amigo muito chato da solidão). Às vezes, é uma coisa pequena que fazemos no meio do dia, qualquer coisa conta. Não precisa ser um passo enorme não, pode ser um passo tímido, já vale. Qualquer passo conta.

Bom, e o mais importante que aprendi foi: posso me sentir solitária, mas não estou sozinha. Sempre tem alguém que estende a mão para nós, ou que enfia ela na nossa cara porque precisamos tomar juízo.

Este texto é emotivo, eu sei. Estou emotiva hoje, e fiquei pensando: deve ter mais pessoas por aí se sentindo assim também. Então, olá! Vamos ficar sozinhos juntos que passa mais rápido.


Ruh Dias

Quando criança, quis ser astronauta. Adolescente, quis ser filósofa, cineasta, fotógrafa. Sempre quis ser escritora. Hoje, só quero ser eu mesma..
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