perplexidade e silêncio

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Ruh Dias

Quando criança, quis ser astronauta. Adolescente, quis ser filósofa, cineasta, fotógrafa. Sempre quis ser escritora. Hoje, só quero ser eu mesma.

Profissões para mulheres e outros artigos feministas

Passaram-se mais de cem anos desde o livro de Virgínia Woolf e este assunto ainda precisa ser debatido. Que tristeza.


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A luta pela igualdade das mulheres no mercado de trabalho começou há muito, muito tempo atrás. E fico orgulhosa de saber que Virgínia Woolf, uma das minhas escritoras preferidas, esteve à frente deste movimento no início do século XX, quando publicou diversos artigos sobre a busca desta igualdade, além de seus livros de ficção.

Estes artigos estão compilados no livro “Profissões para mulheres e outros artigos feministas”, que reúne sete ensaios de Woolf questionando a visão tradicional da mulher como dona-de-casa-esposa-mãe. Ela foca nas dificuldades das mulheres, principalmente, de se inserirem em meios intelectuais.

Woolf se identifica principalmente com a história de Emily Davis, a quem dedica um ensaio inteiro. Emily Davis nasceu em 1830 em uma família de classe média que tinha dinheiro para mandar os filhos para a escola, mas não as filhas. O que mais intriga Davis e Woolf, na época, é que as próprias mulheres não se sentiam merecedoras e dignas de estudo e consideravam-se inferiores aos homens.

Davis teve, então, o apoio de outras duas mulheres que também não se conformavam com a situação feminina e elas formaram uma associação para mulheres desempregadas. A abertura de uma associação como esta, em si, já era um passo revolucionário, pois presumia-se que as mulheres deveriam ter um emprego. Esta associação tinha um caráter secreto e, por isso, as três mulheres eram vistas bordando e tocando piano, para não levantar suspeitas. Para resumir, Davis conseguiu criar uma escola de profissionalização para as mulheres, com sucesso.

Além deste ensaio, outro igualmente relevante é a transcrição de um discurso feito por Woolf na Sociedade Nacional de Auxílio às Mulheres, em 1931, quando criticou francamente escritoras que não lutavam pelos direitos igualitários do gênero. Ninguém esperava pelas suas críticas tão honestas – ah, Woolf, sua linda!

O ponto onde quero chegar é: apesar das diversas vitórias que as mulheres conseguiram desde o discurso de Woolf, falta muito ainda para atingirmos a igualdade entre os gêneros no mercado de trabalho. Há dados estatísticos e pesquisas à torto e à direito mostrando que as mulheres ganham menos, em média, do que os homens, que ocupam menos posições de poder e que são minoria em diversas áreas, como Tecnologia e Ciência. Além do preconceito, estereótipos e piadinhas que somos obrigadas a aguentar diariamente.

Davis e Woolf lutaram contra preconceitos “com raízes profundas”, como Woolf mesma pontua em seu ensaio, “mas impalpáveis como neblina”. Debatiam com mães que ficavam preocupadas se a escola mudaria demais suas filhas e se seria muito perceptível esta mudança. Combatiam valores morais confusos e sem fundamentos, que colocavam as mulheres na situação de inferioridade. E ambas lutaram até a morte. E você, querida amiga, o que está fazendo para continuarmos esta luta?


Ruh Dias

Quando criança, quis ser astronauta. Adolescente, quis ser filósofa, cineasta, fotógrafa. Sempre quis ser escritora. Hoje, só quero ser eu mesma..
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