perplexidade e silêncio

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Ruh Dias

Quando criança, quis ser astronauta. Adolescente, quis ser filósofa, cineasta, fotógrafa. Sempre quis ser escritora. Hoje, só quero ser eu mesma.

Lagertha Lothbrok, casa comigo?

Uma personagem feminina que renova o conceito de mulher, graças a Odin.


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A série de TV “Vikings”, do History Channel, ganhou diversos espectadores e fãs ao longo de suas primeiras três temporadas, muitos deles decorrentes da veracidade histórica dos costumes, acontecimentos e hábitos da época ilustrados na série. “Vikings” fala da saga exploratória na época da Alta Idade Média, quando os nórdicos fizeram uma série de expedições e invasões na região da Inglaterra e da França, lideradas por Ragnar Lothbrok. No que cabe a mim, o que me ganhou de vez foi a personagem interpretada pela lindíssima Katherine Winnick, Lagertha Lothbrok.

Sempre gostei de filmes, livros e seriados com temáticas medievais ou vikings, mas a forma como as personagens femininas eram representadas me incomodava constantemente. Na grande maioria dos casos, as mulheres eram retratadas como submissas e vitimizadas, e muitas vezes eram apáticas aos abusos e acontecimentos de suas épocas. Por isso, qual não foi minha surpresa e alívio com Lagertha.

Uma vez que a série tem a preocupação de ser fiel à História, muitos mitos e estereótipos vikings caem por terra ao longo dos episódios – para quem gosta do assunto, sugiro procurar mais a fundo, pois não irei entrar nestes detalhes. E eles mostram que as mulheres vikings, em sua essência, eram guerreiras. As mulheres que não participavam das batalhas e conquistas juntos com os demais guerreiros eram automaticamente reposicionadas como as chefes da família.

Destaco a personagem Lagertha por ela ser uma das protagonistas da série, mas existem outras muitas personagens femininas ao longo das temporadas que vencem os pré-conceitos e estereótipos de que todas nós somos frágeis e românticas. De forma geral, as mulheres são retratadas como fortes, combativas e dotadas de um senso prático e de justiça incríveis.

Lagertha inicia a série sendo fazendeira, esposa e mãe de dois filhos. No entanto, quando seu marido Ragnar decide conquistar o Oeste da Normandia, ela resolve ir junto. E vai. Sua tenacidade e obstinação logo vencem a resistência de seu marido, e ela torna-se uma escudeira e guerreira de primeira ordem. Ao longo dos eventos da série, ela se fortalece sempre mais, e mesmo quando diversos infortúnios e tragédias aparecem em seu caminho – não darei detalhes, pois muitos irão considerar como spoilers – ela permanece forte e busca soluções. Às vezes, demonstra frieza, outras vezes demonstra vulnerabilidade e, mesmo vulnerável, Lagertha não nos deixa esquecer, nem por um minuto, quem é que manda. É ela.

Michael Hirst, o criador da série, foi muito feliz na forma que desenhou as mulheres da série. E o fato de tais retratos das personagens femininas serem fiéis à História mostra ainda mais uma verdade que todos já deveriam saber faz tempo: não somos o sexo frágil.


Ruh Dias

Quando criança, quis ser astronauta. Adolescente, quis ser filósofa, cineasta, fotógrafa. Sempre quis ser escritora. Hoje, só quero ser eu mesma..
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