pílulas da literatura

Um mundo onde as palavras vivem

Gilmar Luís Silva Júnior

Uma criatura hiperativa, que teme procurar ajuda médica com receio de ser internado.

Análises de alguns poemas

Como se analisa um poema? Duas facetas - a forma e o conteúdo - são de extrema valia para explicar o sentido da organização inusitada que os versos conferem às palavras.


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Hoje que seja esta ou aquela,/ pouco me importa./ Quero apenas parecer bela,/ pois, seja qual for, estou morta./ / Já fui loura, já fui morena,/ já fui Margarida e Beatriz./ Já fui Maria e Madalena./ Só não pude ser como quis. /

Cecília-Meireles2.jpg Essas são as duas primeiras estrofes do poema Mulher ao espelho, de Cecília Meireles. A poetisa é um caso incomum no Modernismo brasileiro: não vociferou contra os expedientes clássicos, mas soube uni-los a temáticas modernas. Acima, percebe-se o uso de índices do Barroco, na aproximação de antíteses. O tom grave perpassa pelo poema na crítica voraz à moda, que tende a uniformizar a aparência das mulheres. Soa como antítese a aproximação de substantivos próprios cuja trajetória os levou a arquétipos de conduta feminina: Maria (santa) e Madalena (devassa), por exemplo.

Luís_Nicolau_Fagundes_Varela.jpg Virgem de loiros cabelos/ - Belos, -/ Como cadeia de amores,/ Onda vás tão triste agora/ - Hora -/ De tão sinistros horrores?/ / Sob nuvem lutulenta,/ - Lenta, -/ Se esconde a pálida lua;/ Nas sombras os gênios combatem;/ - Batem -/ Os ventos a rocha nua. /

As estrofes acima pertencem ao poeta romântico brasileiro Fagundes Varela. Eu a trouxe como exemplo de uma espécie de rima pouco comentada chamada de "coroada", produzida por um figura de construção denominada "eco". Vejam a relação que existe entre as palavras: "cabelos", "belos", "agora", "hora", "lutulenta", "lenta"...


Gilmar Luís Silva Júnior

Uma criatura hiperativa, que teme procurar ajuda médica com receio de ser internado..
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