Maíra F. Guimarães

Toma banho de chapéu, não espera o papai noel, porém discute Carlos Gardel, entre outros, além de ser uma metamorfose ambulante.
Então vá, faça o que tu queres!

Arquitetura da Densidade

Na lógica das megacidades, onde há gente sobrando, porém humanização de menos, o fotógrafo Michael Wolf mostra essa realidade de maneira chocante e bela no incrível ensaio fotográfico "Arquitetura da Densidade", no qual é impossível ficar indiferente.


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Gente fazendo ginástica, cozinhando, descansando, largada no sofá da sala, assistindo programas dominicais de baixa qualidade, cuidando das plantas que crescem no seu micro espaço, fumando, bebendo, discutindo, fazendo amor ou sexo, sozinhas ou acompanhadas. Cada qual na sua jaula, no seu lugar, protegidos por muros e vendo tudo acontecer de suas janelas. Apenas observando, do pequeno espaço que é destinado a observar o mundo lá fora, daquele buraco na parede, mundo este que não tem horizonte, apenas mais janelas, formando um labirinto, uma construção dentro da construção, sem se fundir. Esse é o zoológico do Homo Absurdus, que ainda tem uma ilusão de liberdade, mas na verdade vive em sua jaula apenas a observar como é a do próximo.

Essa poderia ser uma sintetização do estilo de vida nas megacidades, onde apesar da superpopulação, esta não se mistura, não se ajuda, não se humaniza, apenas se aglomera. Vivendo nessa realidade o fotógrafo alemão Michael Wolf (o mesmo viveu por anos em Hon Kong, megacidade chinesa com estimativa populacional de 7 milhões de habitantes) fez o incrível ensaio fotográfico “Arquitetura da Densidade”.

São várias fotos de arranha céus da cidade de Hon Kong formando uma linda e perturbadora arquitetura, onde se pode sentir a claustrofobia urbana e ao menos tempo se encantar com os desenhos formados por inúmeras janelas. “... são intimidantes e assustadoras, por outro lado elas são extremamente belas.” denomina o fotógrafo em entrevista concedida à revista Vice.

Apesar de ser uma cidade oriental é muito difícil não se identificar com o ensaio, pois as megacidades têm essa característica de uniformidade, se assemelhando em muitos aspectos, inclusive na marcante arquitetura vertical. Dessa forma o ensaio poderia muito bem se passar em Bogotá, Cidade do México ou São Paulo, nos aproximando ainda mais da realidade retratada e nos situando, enquanto moradores, no aspecto dicotômico de alta densidade demográfica e desumanização do ambiente.

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Maíra F. Guimarães

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