Maíra F. Guimarães

Toma banho de chapéu, não espera o papai noel, porém discute Carlos Gardel, entre outros, além de ser uma metamorfose ambulante.
Então vá, faça o que tu queres!

Wall-E

Existe amor além da destruição.


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A Pixar caprichou muito nessa pequena obra prima que ganhou o Oscar de melhor animação em 2008, com roteiro crítico e atual, parte técnica impecável (como não podia ser diferente vindo desse estúdio) e para completar trilha sonora e fotografia que sutilmente fazem uma homenagem ao cinema.

De longe uma câmera filma o Planeta Terra, tal qual um documentário, o cenário é desolador, hostil, improvável existir vida naquele local, por um momento é possível se questionar- “Seria outro planeta?”. Montes de lixo, fumaça, falta de água e vegetação...apesar de ser ambientado no futuro já é um cenário familiar para muitos, difícil não lembrar das represas secas que assolam diversos estados brasileiros.

Depois de um olhar atento percebe-se que existe vida, e ai somos apresentados para o cativante Wall-E que apesar de ser um robô transmite muita emoção, a solidão é latente, o olhar é perdido e curioso, os gestos delicados, o objetivo aparentemente impossível: recolher todo o lixo da humanidade. Do lixo também são extraídos itens para a sobrevivência, como peças e lâmpadas, e objetos curiosos de uma espécie aparentemente extinta, a dos seres humanos. Interessante como o filme se mantém mudo por um longo tempo, o personagem principal nos remete a Charlie Chaplin em Tempos Modernos, onde a atividade é mecânica mas o olhar é sonhador. Nesse momento o longa já tem muitos pontos para ser considerado um clássico do gênero.

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Enquanto isso a humanidade, ou o que restou dela, “curte” a vida em um cruzeiro pelo espaço, se tornando uma raça totalmente sedentária, automatizada, alienada e dependente de tecnologia. Isso te lembra alguma coisa? Alguém? Pois é. Alguns contam com a sorte de deixar seu aparato eletrônico cair para perceberem que existem estrelas no céu. Curioso como o filme mostra os robôs muito mais humanizados que os próprios seres humanos.

Conhecida por abalar estruturas, quebrar rotinas, ser um vetor de mudanças, a paixão atinge Wall-E de forma avassaladora, Eva chega ao Planeta Terra. O nome não passa despercebido, nada parece ser em vão ou desperdiçado ao longo desta obra, Eva a primeira mulher a habitar a Terra agora retorna em um eterno recomeço.

A relação dos dois é mostrada de forma poética, o jeito de olhar, de cuidar um do outro, de compartilhar realidades diferentes e assimilar a do próximo é de uma sensibilidade ímpar. Em um momento de entrega e confiança Wall-E oferece a Eva sua maior relíquia, uma planta (algo que não existia mais no atual Planeta Terra) em uma cena cheia de simbolismo como da fecundidade e renascimento. Ocorrem vários acontecimentos depois desse contato, Wall-E conhece o espaço, faz amizades e ajuda na reconstrução do futuro, tudo isso porque seguiu seus instintos e sentimentos. Sim os humanos têm muito para aprender com os robôs.


Maíra F. Guimarães

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