Maíra F. Guimarães

Toma banho de chapéu, não espera o papai noel, porém discute Carlos Gardel, entre outros, além de ser uma metamorfose ambulante.
Então vá, faça o que tu queres!

Tarja Branca: A Revolução que Faltava

Tarja branca não é um remédio tomado pela boca e sim pelos ouvidos, se permita ouvir mais, se conhecer melhor e sentir o seu entorno. E se a cura estiver em nós mesmos?


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É muito comum encontrar pessoas incomodadas com seu estilo de vida, seu trabalho, sua aparência... Vivemos mesmo em uma sociedade doente? Para fazê-la funcionar muitas pessoas passam 08 horas do seu dia, ou mais, fazendo o que não gostam. Fator este que pode gerar paranoia, depressão, melancolia e diversas síndromes. Quem não sente falta da infância? Aquela época em que era possível fazer muito do que se tem vontade, ter tempo livre abundante, se divertir e brincar. Mas até a infância se encontra ameaçada, é o que nos alerta o pertinente documentário Tarja Branca, dirigido por Cacau Rhoden. Este é composto por relatos de diversas pessoas, de diferentes áreas e com vivências ímpares que contribuem para uma análise crítica de todo esse contexto social atual.

A criança hoje em dia é criada para ser um adulto em versão menor, as agendas já são de "gente grande", com diversos compromissos. A competitividade é incentivada na escola, nos esportes e até nas brincadeiras. O fantasma do vestibular chega cedo, método falho inclusive, que não define os melhores e sim segrega, “ninguém nasceu para passar no vestibular” – ressalta uma das entrevistadas. A escola e tão pouco a faculdade preparam para a vida, estas são apenas moldadoras de indivíduos que na maioria dos casos não desenvolvem uma visão crítica, inteligência e capacidade de discernimento, apenas agregam rios de informações que muitas vezes não são usados em nossa vida prática.

Falta tempo, realmente livre, aquele destinado ao desenvolvimento pessoal, para pensar, se questionar, se conhecer. Até o ócio atualmente é consumo, este é gasto em shoppings e ambientes similares, na aquisição de coisas e de lugares. O trabalho muitas vezes pode ser uma fonte de prazer, quando feito com amor e liberdade, onde também é diversão. É muito difícil funcionar em horários pré-estabelecidos e rigorosos, ambientes pouco inspiradores e com a pressão de um esquema hierárquico rígido, fatores estes que só geram insatisfação e ironicamente improdutividade.

tarja_branca.jpg Cena do documentário Tarja Branca “A Liberdade é perigosa, o sonho é perigoso” - segundo um dos depoimentos , ou seja, basicamente somos presos a um processo de produção, onde o dinheiro é um pretexto para diferentes formas de exploração. “Vinte e cinco anos fiquei carimbando cheques devolvidos de pessoas que eu não conhecia em um banco, até que um dia eu descobri que podia sair do banco” - nos diz um dos entrevistados. Algumas celas são tão sutis que demoramos a perceber que delas podemos nos livrar.

O resultado desse processo são pessoas que tentam se curar através de drogas como os remédios tarjas pretas. Realizando um belíssimo contraponto, e também uma crítica aos tais medicamentos, o documentário nos brinda com a solução do remédio tarja branca. Este que não é tomado pela boca e sim pelos ouvidos, é a cura através das palavras, da percepção, do autoconhecimento, que faz renascer a criança interior como uma forma de se libertar, se permitir. O Ministério da Saúde adverte: abuse do tratamento com tarja branca.


Maíra F. Guimarães

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