Maíra F. Guimarães

Toma banho de chapéu, não espera o papai noel, porém discute Carlos Gardel, entre outros, além de ser uma metamorfose ambulante.
Então vá, faça o que tu queres!

O Vício da Leitura

Para você que é vidrado em capas, que acaricia os livros e ama cheira-los, você não está sozinho!


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Muitos achavam que com o advento da tecnologia os livros iriam acabar, mero engano. Na verdade, as lojas de discos e principalmente as locadoras tiveram um final mais triste, em compensação as livrarias continuam lotadas. A relação com o livro é uma coisa física também, não basta apenas ler o conteúdo, tem que tocar, cheirar e ter em mãos, aí mora a magia.

Ler pode ser um vício, eu sou do tipo de pessoa que sempre tem um livro em mãos, estou constantemente lendo alguma coisa, procuro a todo momento uma oportunidade para comprar um livro, trocar ou pegar emprestado. Conhecer um bom autor é quase como o descobrimento de um continente, um mundo novo se abre.

Viciados em livros conhecem uns aos outros, é como uma rede que está sempre em contato querendo saber o que o outro está lendo, o que descobriu de bom no último mês e se tem algum livro para passar para frente, porque definitivamente lugar de livro não é na estante.

“Alan Pauls, escritor argentino, dizia que a perfeição técnica é um critério muito pobre para avaliar um livro, por uma razão muito simples: o leitor não pede ao autor que lhe entregue algo bem feito. O que o leitor pede ao autor é o seguinte: me drogue..." (Gustavo Pacheco, posfácio do livro Cantiga de Findar de Julian Herbert)

Além de Alan Pauls, Aldous Huxley foi outro autor que comparou a literatura e a arte em geral como um equivalente ao álcool. Quando se tem contato com estas formas de expressão a vontade é vivenciar situações excitantes, e claramente estas mexem com nossas funções cognitivas.

“Mas a questão é que ninguém lê literatura para compreender; lê para reviver sentimentos e sensações excitantes do passado. A arte pode ser muita coisa, mas na prática, não passa de um equivalente mental do álcool...” (Também o Cisne Morre – Aldous Huxley)

3szm66vjpkrzfebsadl3s01mn.jpg Personagem de Jean Sol Partre de A Espuma dos Dias

O personagem que chegou mais longe nesse vício foi o Chick, do livro “A Espuma dos Dias” de Boris Vian, o qual foi adaptado para o cinema por Michel Gondry. Chick é viciado em um autor em particular, o filósofo Jean Sol Partre (paródia clara e explícita de Sartre). Os livros de Partre são vendidos em versões capsulas e também podem ser bebidos ou fumados, o que torna a dependência muito maior. Como todo vício em situações extremas, este leva Chick a falência e até a morte. Esta é uma excelente metáfora a ânsia ao escapismo na qual vivemos em nosso cotidiano, porque assim como as drogas livros também são válvulas de escape.

Os livros também são armas de libertação, as pílulas que podem viciar como no caso do personagem de Vian, também são as de sabedoria que podem libertar, mudar realidades e reorganizar uma sociedade.

“Esses dias tinha um moleque na quebrada com uma arma de quase 400 páginas na mão. Umas minas cheirando prosa, outros acendendo poesia. Um cara sem Nike nos pés indo para o trabalho com os olhos vermelhos de tanto ler no ônibus. Uns tiozinhos e umas tiazinhas no sarau enchendo a cara de poemas, depois saíram vomitando versos pelas calçadas. O tráfico de informação não para, uns estão saindo algemados aos diplomas depois de experimentarem umas pílulas da sabedoria. As famílias, coniventes, estão em êxtase. Esses vidas mansas estão esvaziando as cadeias e desempregando os Datenas. A vida não é mesmo louca?” Poeta Sérgio Vaz

Livros, estes objetos atemporais e fascinantes que podem te levar a loucura, a libertação, a paixão, mas que dificilmente te deixam indiferente. Para você que é vidrado em capas, que acaricia os livros e ama cheira-los, você não está sozinho!


Maíra F. Guimarães

Toma banho de chapéu, não espera o papai noel, porém discute Carlos Gardel, entre outros, além de ser uma metamorfose ambulante. Então vá, faça o que tu queres! .
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