Maíra F. Guimarães

Toma banho de chapéu, não espera o papai noel, porém discute Carlos Gardel, entre outros, além de ser uma metamorfose ambulante.
Então vá, faça o que tu queres!

“Minha São Paulo” – a cidade sob novos ângulos

Quando 100 câmeras fotográficas são distribuídas para moradores de rua o resultado é um belíssimo ensaio da cidade onde podemos ver o olhar de pessoas que muitas vezes não são notadas, ouvidas e nem vistas, mas que têm muito a dizer.


cachorro.jpg Foto escolhida para ser a capa do calendário

A ideia de se fotografar uma cidade sob o olhar de moradores de rua começou com um projeto idealizado por um grupo inglês chamado Café Art, o qual distribuiu 100 câmeras fotográficas para estes moradores registrarem a cidade de Londres. A Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo fez o intercâmbio e trouxe o projeto para cá, o resultado? Foram registradas 4.800 fotos da cidade onde 13 foram selecionadas para virarem um calendário que acabou de ser lançado no 3º Festival de Direitos Humanos da cidade.

Não é apenas um projeto de fotografia como ressalta Paul Ryan, jornalista britânico e um dos idealizadores e disseminadores do mesmo, em entrevista à Folha de São Paulo: “O Calendário não é sobre as fotos, é sobre as pessoas que as tiram, diz ele. “Em geral, a população não entende as narrativas de quem mora na rua”.

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Esse ensaio mexe com muitos fatores, um deles é marginalização de indivíduos e a grande desigualdade social existente, não apenas em São Paulo como também em Londres, a edição britânica pode ser vista aqui http://addictable.com.br/2015/08/31/100-moradores-de-rua-ganharam-uma-camera-em-londres-e-o-resultado-e-emocionante/. É possível constatar que algo está errado quando uns tem demais e outros não possuem nem o mínimo necessário para viver, e quando trazemos à luz essas pessoas e suas situações de vida, trazemos também essa reflexão para a sociedade.

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Outro ponto interessante é a questão do dom artístico de cada um, o qual pode ser desenvolvido também por pessoas que não tem o hábito de conviver com a arte no cotidiano. Estas pessoas tiveram acesso a uma câmera fotográfica (muitos pela primeira vez), receberam um pouco de auxilio técnico e já conseguiram desenvolver olhares e ângulos que chamam a atenção por sua peculiaridade, beleza e narrativa. Arte não é apenas técnica, envolve também sentimentos, memórias, crítica social, é uma atividade visceral e podemos ver todos esses elementos nessas fotos.

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São situações cotidianas, ângulos especiais da cidade, outras pessoas em situações parecidas ou diferentes, matéria urbana, animal e humana, todas juntas formando um cenário em comum. O que podemos ver é o olhar de quem tem o céu como casa e as ruas como companhia, e aí mora toda a beleza dessas fotos e do projeto como um todo, dar voz aos que estão emudecidos e engolidos pela cidade, um olhar para os que estão invisíveis, é a rua contanto história através da arte de fotografar.

É possível ver todas as fotos selecionadas para o calendário aqui http://noticias.uol.com.br/album/2015/11/27/fotos-tiradas-por-moradores-de-rua-de-sao-paulo-ilustram-calendario.htm#fotoN

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Maíra F. Guimarães

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