Emily Kusano

Reflexões pessoais e transferíveis. Algumas palavras, diversas ideias e milhões de sentimentos.

Conflitos da ditadura da beleza

A mídia sempre teve grande influência sobre o modelo de aparência ideal, mas esse padrão nem sempre foi o mesmo. Propagandas como "não deixem que te chamem de magra" faziam parte da publicidade anos atrás.


650.jpg Se você quer ser popular ... você não pode se dar ao luxo de ser magra!

Propagandas dos anos 1940 a 1970 em que as mulheres e homens magros (skinnys) não eram vistas como sensuais, muito menos como padrões de beleza. Publicadas pelo site retronaut.

1167.jpg Homens não olhavam para mim quando eu era magra / Mas… depois que ganhei 4,5kg com essa nova forma fácil, tenho todos os encontros que eu quero

554.jpg Um homem magro não tem chance. Eu gostaria de ganhar massa.

846.jpg Ganhe peso! Deixe de ser magro e cansado!

748.jpg "Não deixem que te chamem de magra"

Uma famosa e polêmica propaganda da Ralph Lauren de 2012

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O contraste das imagens acima deixa clara a mudança do estereótipo de beleza com o passar dos anos. Penso se o que achamos bonito é realmente derivado do gosto pessoal ou de algo imposto no nosso subconsciente, até porque o bonito é muito subjetivo. É delicado quando esse modelo é associado a relacionamentos e saúde, como se as pessoas que não fossem desse modo não fossem dignas de amor ou até mesmo que não são saudáveis. É complicado porque o olhar em nossa direção fica cada vez mais crítico e desvio qualquer, para mais ou para menos, é visto como imperfeito.

E quem se encaixa o padrão, está feliz?

6323628-11.jpg Campanha "Amo meu corpo" da Victoria Secret em 2013

Se por um lado temos algo que é considerado bonito pela mídia, por outro as pessoas que se encaixam nesse modelo não passam pelo filtro de comentários alheios. Ninguém chega para uma pessoa e fala que ela está acima do peso, mas o contrário é bem comum até mesmo nas fotos das redes socais. Por mais inofensivos que esses comentários possam ser nunca sabemos ao certo o tamanho do impacto que isso causará a outra pessoa. Até porque nem sempre a ideia que ela "não come direito" é realidade, não há como julgar o outro por isso.

A verdade é que nenhum padrão é correto porque as pessoas não são padronizadas. Há toda uma questão de genética, metabolismo e outras variantes relacionados à aparência.

Estamos constantemente cercados de estereótipos que não condizem com a realidade. Resta a cada um de nós selecionar aquilo que nos faz bem. Porque no fim das contas os padrões e as críticas estão superficiais. Esperamos que as pessoas não.


Emily Kusano

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