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Palco Plural de ideias e produções

Aline Presa

Jornalista e amante das artes. Gosto de me expressar com palavras e imagens. Minha inspiração vem da subjetividade das coisas simples da vida.

Uma fábula infantil pra gente grande ver

O premiado filme "As aventuras de Pi", dirigido em 3D por Ang Lee, mostra que a forma como encaramos os acontecimentos da vida pode nos fazer mais felizes. Nessa produção baseada em uma fábula infantil, somos transportados para o mundo da fantasia de Pi de onde jamais retornamos os mesmos.


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É engraçado como alguns filmes, à primeira vista infantis, conquistam o público adulto (meu pai que o diga). Conheço gente que leva os filhos no cinema com a desculpa de agradar as crianças, quando na verdade são os grandões que buscam diversão na telona. Tem também aqueles que torcem o nariz para produções com histórias aparentemente ingênuas e que acabam se surpreendendo e saindo das sessões extasiados. As aventuras de Pi, do sensível diretor Ang Lee, que levou a estatueta de melhor diretor no Oscar desse ano, é um desses filmes.

A premiada produção baseada em uma emocionante fábula infantil de Yann Martel também foi merecidamente vencedora do Oscar nas categorais de melhor trilha sonora original, melhores efeitos visuais e melhor fotografia. E não é para menos, a aventura em 3D comove o público pela mensagem profunda sobre o sentido que damos à vida e impressiona pela beleza estética e riqueza nos detalhes.

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Em meio a paisagens exuberantes, Pi Patel (interpretado pelo jovem e talentoso Suraj Sharma), filho do dono de um zoológico na Índia, busca nas religiões as repostas para seus infinitos porques. Quando a família decide vender o empreendimento por motivos financeiros e partir com todos os animais para o Canadá, de carona com um navio cargueiro, um naufrágio causado por uma forte tempestade muda os planos e traz as respostas para Pi. Ao sobreviver, ele tem que recomeçar sua vida sozinho, ou melhor, ao lado de uma zebra, de um orangotango, uma hiena e um tigre de bengala (incrivelmente real) chamado Richard Parker, que se salvam no mesmo bote que ele.

Na envolvente trama que fala de fé, da luta pela sobrevivência, da solidão, de medos e incertezas - elementos básicos que norteiam nossas vidas todos os dias - o diretor revela o que está por trás da convivência de Pi com os animais no bote, em especial o tigre Richard Parker, em um final surpreendente. A espiritualidade que se manifesta na forma como encaramos os fatos, para além da importância deles em si, é o que nos faz sair do cinema mais 'Polianos', acreditando que é possível sermos mais felizes a partir de uma escolha: De que ângulo queremos enxergar as coisas? Ou, nas palavras de Pi: "Que história queremos contar?".


Aline Presa

Jornalista e amante das artes. Gosto de me expressar com palavras e imagens. Minha inspiração vem da subjetividade das coisas simples da vida. .
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