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Javi

Guillermo del Toro, o contador de fábulas sombrias

No limiar da realidade cruel e a fantasia aterrorizante, as histórias fílmicas do mexicano Guillermo del Toro encantam e amedrontam o público dos cinemas.


Admirado pelo público e pela crítica especializada, Guillermo del Toro (Guadalajara, 1964) converteu-se em referência no que refere-se à fantasia no cinema. E não é para menos. A sua contribuição ao gênero, falado em espanhol, é enorme.

toro2.jpg© Divulgação.

Não é somente a língua espanhola a única diferença entre as produções do mexicano e as demais do gênero, geralmente gravadas em inglês.

Longe do fantástico escapista de Tim Burtom, as personagens de Del Toro circulam pelos mundos onírico e real o tempo inteiro. Justamente é dessa interação que surgem interessantes questionamentos. Por exemplo, pode a realidade superar em crueldade até mesmo o mais sombrio dos pesadelos?

A resposta parece ser sempre afirmativa. Com exceção de Cronos (1993), é notável a preferencia do diretor pelos periodos de insurreição e governo franquista na Espanha, cujos horrores ainda hoje não cicatrizaram de tão profundos. Foram tempos onde a miséria, a injustiça e os conflitos dos Homens configuraram uma realidade hostil à ingenuidade infantil.

toro5.jpgFotograma de El espinazo del Diablo (2006) © Divulgação.

Para piorar, o plano mágico tampouco é uma Disney, digamos. Lúgubres e sinistros, os cenários da imaginação abrigam monstros de moralidade dúbia e intenções ambiguas.

De fato são as criaturas fantásticas uma das atrações mais celebradas de seus filmes. Estão concebidas meticulosamente como seres verossímeis, dotados de uma anatomia estudada e funcional, uma personalidade bem delineada e uma estética acorde com o ambiente ao redor. Causam terror e fascinação a partes iguais.

toro3.jpgFotograma de El laberinto del fauno (2006) © New Line Cinema. Divulgação.

Porque no fim das contas, Guillermo del Toro conta fábulas de terror para adultos. E a invenção de mitologias críveis é fundamental para sustentação das tramas.

O bom desempenho de seus filmes nos box-offices mundiais e a boa recepção do público garantiram-lhe o interesse de Hollywood para incubir-lhe da direção de ambiciosos projetos tais como Hellboy (2004).

Além disso, como produtor, apóia financeiramente filmes que dialogam com o seu perfil cinematográfico. Don't be afriad of the dark (2011), Los ojos de Julia (2011) e El orfanato (2007) são alguns dos títulos apadrinhados por ele.

E, se não fosse suficiente, Del Toro fez em 2009 a sua estréia na literatura. O livro Nocturna é a primera entrega de uma trilogia sobre um vírus que transforma as pessoas em vampiros.

Como vemos, entre tantos projetos, o seu comprometimento com o gênero Horror (falado em espanhol) está mais que reconhecido pelo público e pela crítica.


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