polifonia sem fio

Percepção e Representação de Mundo

Aline Vaz

Doutoranda e Mestre em Comunicação e Linguagens, especialista em Cinema e graduada em Letras, pela Universidade Tuiuti do Paraná - pesquisadora no GP GRUDES - Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano em Narrativas Audiovisuais gpgrudes.com

Flanêurie

Bakhtin disse que somos eventos no mundo. Apropriamos-nos da sociedade para que possamos mudá-la e sermos mudados. Sou e posso a vir ser pelo contato com cada sujeito e os mesmos sujeitos em outros contextos.


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John Donne disse que nenhum homem é uma ilha. Uma long neck sozinha é triste, algum número par, lado a lado, é sinal de felizes juntos. Você pode ser um transeunte, que se enfia na multidão ou um flanêur, que precisa de espaço livre e observa de maneira particular. Não importa, viver é como um porre, a experiência é maior quando dividida e a ressaca também.

Analisando Baudelaire, Walter Benjamin compreende que o flanêur apaixona-se pela exterioridade, a rua é o seu refúgio, identifica-se com a sociedade e vê o movimento ondulante da multidão, como um espaço de leitura, uma floresta de signos a serem interpretados como um texto. Não importa se você é multidão ou observador, você troca informações, experimenta e percebe o ambiente, tem os “dados” ao mundo e os tímidos caminhantes.

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Bakhtin disse que somos eventos no mundo e outras coisas que ainda citarei. Apropriamos-nos da sociedade para que possamos mudá-la e sermos mudados. Sou e posso a vir ser pelo contato com cada sujeito e os mesmos sujeitos em outros contextos. Alteramos-nos juntos, não somos os mesmos sempre, as borboletas no estômago podem piorar muito e já não sabemos quem somos, sentir confunde todas as teorias.

Ser resulta na capacidade de mudar, cada um da sua forma, cada um dentro da relação que se insere. É o outro que me ajuda a ser muito mais quem eu sou, é por isso que o outro me completa.

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Completar não significa tornar-se um só, isso é e sempre será anulação. Estamos sempre nos completando, nunca sendo completos. Compartilhamos nossas existências, somos subjetivos, desejamos e interagimos.

Podemos realizar desejos, nunca o desejo. Também, realizamos sentidos, nunca o sentido. Estamos nos relacionando com contextos, em que preciso ver o que você me mostra e te mostrar o que não podemos ver sozinhos.

Assim a gente sente a necessidade do outro, precisa refratar a realidade, relacionando-se com mundos que habitam mesas de bares, caminhadas por ruas agitadas - às vezes sem saída - e cômodos responsáveis por trocas orgásticas.

Sou flanêur e multidão, depende do dia, da disposição, da tristeza, do amor e da espera, sou e estou no mundo.


Aline Vaz

Doutoranda e Mestre em Comunicação e Linguagens, especialista em Cinema e graduada em Letras, pela Universidade Tuiuti do Paraná - pesquisadora no GP GRUDES - Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano em Narrativas Audiovisuais gpgrudes.com.
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