polifonia sem fio

Percepção e Representação de Mundo

Aline Vaz

Doutoranda e Mestre em Comunicação e Linguagens, especialista em Cinema e graduada em Letras, pela Universidade Tuiuti do Paraná - pesquisadora no GP GRUDES - Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano em Narrativas Audiovisuais gpgrudes.com

Inferir faz sentido

O processo de compreensão inferencial possui livre acesso à memória, como uma busca, mas não uma busca pelo passado e sim pelo estado de verdade, que resulta de um caráter dedutivo, a verdade das premissas garante a verdade conclusiva.


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Estamos condenados à busca de sentido. Greimas diz que o sentido é a construção intersubjetiva em que as coisas são usadas, os signos interpretam o uso, surge a obrigação de fazer-se significar.

Goffman ressalta a importância de compreender que na existência cotidiana não dirigimos nossas vidas, tomamos nossas decisões ou alcançamos metas, nem de maneira estatística nem de maneira científica, vivemos de inferências.

O processo de compreensão inferencial possui livre acesso à memória, como uma busca, mas não uma busca pelo passado e sim pelo estado de verdade, que resulta de um caráter dedutivo, a verdade das premissas garante a verdade conclusiva.

A mente está sempre a processar informações visuais, auditivas e linguísticas, que junto à memória conceitual, por um meio de suposições podem ser completadas pelo contexto.

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É pelo grau de suposições dedutivas que as representações de mundo são percebidas de modo a afetar o sujeito para o bem ou para o mal. Ao perceber o mundo o sujeito decodifica e infere deduções.

Tudo que nos ensina transmite signos que constituem a representação e percepção de mundo. Os modos de vivenciar essas decodificações de linguagem, que buscam na memória um repertório, no presente implicam em um movimento de decepções e revelações.

É preciso compreender quando somos recebidos em determinado mundo e porque somos. Ser e estar no contexto. É preciso relacionar-se com signos que obedecem a esses mundos, que acolhem e abrigam por meio de códigos.

Herman Parret já suscitou: “O real é, na verdade, o que se faz sentir, o real é, também ele, corpóreo”.

Precisamos viver o que se faz sentido, sentir, assim alcançamos a realidade e nos iludimos com discursos que inferimos, damos sentido e fazemos sentir de acordo com o contexto, com o afeto e o tom do assunto, que deixa de ser objeto e torna-se experiência.

Dê sentido, mas não insira volume no vazio de prato raso.


Aline Vaz

Doutoranda e Mestre em Comunicação e Linguagens, especialista em Cinema e graduada em Letras, pela Universidade Tuiuti do Paraná - pesquisadora no GP GRUDES - Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano em Narrativas Audiovisuais gpgrudes.com.
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