polifonia sem fio

Percepção e Representação de Mundo

Aline Vaz

Doutoranda e Mestre em Comunicação e Linguagens, especialista em Cinema e graduada em Letras, pela Universidade Tuiuti do Paraná - pesquisadora no GP GRUDES - Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano em Narrativas Audiovisuais gpgrudes.com

Descobri How I Met Your Mother e me apaixonei

Irrito-me com o Ted. Irrito-me comigo. Não me irrito com a Robin. Quero ser Barney. Sonho com final feliz: sou Ted.


coverweb.jpg

Não sou uma espectadora de séries, minha vida seriada é marcada por One Tree Hill e The O.C, um pouco de Smallville também. Faz muito tempo que não acompanho séries, até acompanhar How I Met Your Mother, um pouco atrasada, seu último episódio e todas as reações indignadas pela decepção me causaram curiosidade, o que havia de tão decepcionante? Nada! São nove temporadas, até a última tomei o cuidado de não saber o final. Não me revoltei, achei a bagunça que é a vida, pelo menos a minha. Vidas coerentes não são narrativas, são só classes gramaticais, que me desculpem os coerentes, para mim as boas histórias são intrigantes, precisa confundir para fazer pensar.

Em algum momento me irritei com todos os personagens, em algum momento amei todos os personagens, em algum momento me identifiquei com algum personagem. Quis bater na Lily quando deixou o Marshall, mas depois entendi, quis chorar quando o Ted foi deixado pela Robin, fiquei feliz quando a Robin aceitou o pedido de casamento do Barney, quis um amor tranquilo quando o Ted conheceu a mãe das crianças e tive esperança no último episódio.

himym-2.jpg

Enfim, todos amam o Barney, eu também amo o Barney, é como ser um pouco Barney amando o Barney, mesmo que o fim decepcione e sejamos Teds. É difícil ser Marshall e Lily, é um desejo ser Barney e é um sofrimento ser Ted. Somos sonhadores. Talvez nunca sejamos além de um Ted. Talvez a gente nunca conheça a mãe das crianças. E porque não ser Robin? Alguns são. Todo Ted tem sua Robin. Estamos empatados. Românticos e céticos: eu te amo, me desame, em um desamar, não há armas suficientes, amores não morrem. Irrito-me com o Ted. Irrito-me comigo. Não me irrito com a Robin. Quero ser Barney. Sonho com final feliz: sou Ted.

How-I-Met-Your-Mother-Last-Forever-blue-french-horn.jpg

O mais importante é que todos erram, todos acertam, todos esperam e é o que importa, amar, passar os dias com os amigos no bar, ouvir os conselhos e desobedecer todos, seguir a intuição mesmo que todos se decepcionem no final, o que importa são os conflitos e o clímax, é o meio que existe, no fim acaba mesmo. Não precisamos encontrar a mãe das crianças, o amor não divide um guarda-chuva, ele faz o barulho confuso de alguma coisa Blue, roubada de um dia em que tudo isso começou.


Aline Vaz

Doutoranda e Mestre em Comunicação e Linguagens, especialista em Cinema e graduada em Letras, pela Universidade Tuiuti do Paraná - pesquisadora no GP GRUDES - Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano em Narrativas Audiovisuais gpgrudes.com.
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/cinema// @destaque, @hplounge, @hp, @obvious, @obvioushp, @obvious_escolha_editor //Aline Vaz