polifonia sem fio

Percepção e Representação de Mundo

Aline Vaz

Doutoranda e Mestre em Comunicação e Linguagens, especialista em Cinema e graduada em Letras, pela Universidade Tuiuti do Paraná - pesquisadora no GP GRUDES - Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano em Narrativas Audiovisuais gpgrudes.com

Apenas o fim daquela vontade que dá de repente de beber fanta uva

Um dia estamos indo fazer uma prova, estamos indo dormir, estamos em um dia ruim no trabalho, estamos em um dia bom no bar e alguém diz que vai embora, que nunca mais quer te ver, que você é aquela vontade que dá de repente de beber fanta uva e já passou.


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Apenas o fim é o meio de alguma coisa que vai começar, pode ser uma depressão profunda, uma choradeira todos os dias até passar os dias da depressão profunda e se tornar uma melancolia quieta, viver como se estivesse prosseguindo, quando está se acabando.

Apenas o fim (2008) também é o primeiro longa do Matheus Souza. Tom está indo fazer uma prova na universidade e a namorada chega pra impedir a prova, na verdade impede a prova pra dizer que quer impedir que o namoro prossiga e iniciam o fim, lembrando de tudo que começou.

Um dia estamos indo fazer uma prova, estamos indo dormir, estamos em um dia ruim no trabalho, estamos em um dia bom no bar e alguém diz que vai embora, que nunca mais quer te ver, que você é aquela vontade que dá de repente de beber fanta uva e já passou. Como o Tom você diz: “Se além de me largar você tivesse me traído, me batido, me xingado, esculachado, me ovado em praça pública com sustagem, enfim, eu continuaria lá, te defendendo. Mesmo que chegasse um meteoro, vindo alucinadamente em sua direção, eu me jogaria na frente pra te defender, e obviamente, não adiantaria de nada.”

Quando você começa a viver apenas o fim, pela sua livre e espontânea não vontade, é “apenas” o fim, por isso dura o bastante pra ser só o início de uma chuva de meteoros, desconstruir cidades, mundos, morrer de amor e continuar vivo, só para pensar na reconstrução de um mundo perfeito que não tivesse problemas e ninguém tivesse que fugir.

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E é assim, não importa o quanto sofra, o quanto tente fazer o melhor que queira de um jeito melhor ainda, o quanto tente, é apenas o fim, o seu fim, a sua relação com o fim e o seu jeito de encará-lo. Pode ser como pedir pizza, você pede a pizza, fica ansioso para a pizza chegar, a pizza chega, você se empanturra e depois vai ver tevê no sofá. Pode ser como um McDonalds, que por mais que falem que faz mal, tem quem não consiga parar de comer, se sente melhor porque dá pra mudar o lanche, tirar o queijo ou a salada, personalizar o padronizado, mesmo que seja estranho e todo mundo olhe com cara feia. O amor pode ser uma coisa banalizada, padronizada, ser igual para todo mundo ou pode ser único, ser personalizado, só seu, pode ser saudável ou fazer mal para o estômago.

Apenas o fim é um filme sobre relacionamento, não é sobre o que acabou, é sobre o passado que existiu, sobre o futuro ausente, é sobre todos os relacionamentos, pode acabar, mas está sendo, pode ser apenas o fim de um dia, de momentos que acabaram, quando chega ao fim os momentos felizes tornam-se lembranças tristes e os momentos tristes lembranças tristes, é apenas o início da tristeza que de nada adianta e nada faz passar.


Aline Vaz

Doutoranda e Mestre em Comunicação e Linguagens, especialista em Cinema e graduada em Letras, pela Universidade Tuiuti do Paraná - pesquisadora no GP GRUDES - Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano em Narrativas Audiovisuais gpgrudes.com.
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