polifonia sem fio

Percepção e Representação de Mundo

Aline Vaz

Doutoranda e Mestre em Comunicação e Linguagens, especialista em Cinema e graduada em Letras, pela Universidade Tuiuti do Paraná - pesquisadora no GP GRUDES - Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano em Narrativas Audiovisuais gpgrudes.com

O amor é um Don Juan de passagem

O contrato de amor contemporâneo é assinado pelo Don Juan. Já nos prevenimos, histórias de amor duram apenas 90 minutos e prometemos que vamos nos amar até a loucura durante 46 minutos.


2264x1500x2.jpg

O dia em que encontrei o Don Juan ele estava de passagem, ele procurava em cada amor uma perfeição, cada amor era perfeito de um jeito que fazia ele procurar um novo amor em busca de novas perfeições.

Eu era mais Werther que Don Juan, morria por amor e escrevia cartas que sofriam cada palavra. O Don Juan me levou até a montanha mais alta e de lá me joguei, foi intenso, senti o vento no rosto, a velocidade em meus olhos que viam paisagens que passavam e eram bonitas, queria contemplar, não dava tempo. O fim da queda me imobilizou em uma alegria que vivi sem dia seguinte.

1703x1142x2.jpg

Há uma frase na obra da Nouvelle Vague que evidência o contrato do desengajamento: "Já nos prevenimos, vamos nos amar até a loucura durante 46 minutos". O mundo contemporâneo quer amores breves, o culpado não é aquele que não ama, é aquele que não cumpre a promessa, aquele que não se compromete a esquecer do passado recente, a noite feliz que tivemos ontem. Aquele que ama é um traidor. Títulos de filmes advertem a fuga de vínculos: “Uma garota para o verão”, “Um amante de cinco dias” e “O affair de uma noite", o filme brasileiro "Histórias de amor duram apenas 90 minutos".

O “viveram felizes para sempre” não é mais desejo, é conto de fadas ultrapassado cheio de críticas dos atuais, criadores de princesas que se defendem sozinhas e “shreks” que não amam ninguém. A ideia que os hiper-pós-modernos-líquidos nos vendem é: ame menos para não morrer tanto e morra por falta de eternidade. Não há saída, em um mundo de tantas possíveis alcançáveis belezas e perfeições não há amor que sobreviva as suas confusões eternas.


Aline Vaz

Doutoranda e Mestre em Comunicação e Linguagens, especialista em Cinema e graduada em Letras, pela Universidade Tuiuti do Paraná - pesquisadora no GP GRUDES - Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano em Narrativas Audiovisuais gpgrudes.com.
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/recortes// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //Aline Vaz