polifonia sem fio

Percepção e Representação de Mundo

Aline Vaz

Doutoranda e Mestre em Comunicação e Linguagens, especialista em Cinema e graduada em Letras, pela Universidade Tuiuti do Paraná - pesquisadora no GP GRUDES - Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano em Narrativas Audiovisuais gpgrudes.com

Two Night Stand: Um link casual para o sexo se conectar

A home page é um furo na parede de nossas casas, fechamos as cortinas e abrimos as janelas que dão para dentro de outras casas, todos refratados na luz do monitor.


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Two Night Stand (Max Nichols; 2014) sabota as teorias dos amores líquidos, os personagens criam perfis em um site de relacionamentos, marcam a opção sexo casual e se conectam mais que o previsto.

No ciberespaço é mais fácil imaginar relações casuais, apagar perfis e reiniciar novos contatos. Bauman e Birman teriam uma conversa tranquila sobre o assunto, o primeiro diria que não há vínculos afetivos e o segundo complementaria a falta da relação face to face, lembrando do filme Denise está chamando (Hal Salwen; 1995). Nesse momento Lévy discordaria afirmando que as pessoas que mais utilizam as tecnologias de comunicação são também as que buscam o contato presencial. A discussão iria longe, talvez deixassem de ser amigos no facebook.

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Parece-me que a extensão da vida dita real cria vínculos afetivos, sim. A home page é um furo na parede de nossas casas, fechamos as cortinas e abrimos as janelas que dão para dentro de outras casas, todos refratados na luz do monitor, cada clique pode ser um pedido para que dessa vez seja mais que um reiniciar atualizações.

Megan e Alec querem uma vida simples, uma casa e talvez um cachorro. No fundo todos querem essas coisas simples (porém, complexas), uma casa e um amor para cuidar. Todos estão em festas divertidas, questionados sobre suas carreiras, determinando o que são, construindo uma dita realidade no instagram, a foto da festa é de verdade, a legenda enfatizando a diversão não é falsa, mas voltar para casa sozinho é um momento sem likes.

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As conexões sempre deixarão vínculos, o dia sempre será iluminado pelas consequencias da noite. Não somos o sistema operacional de Her (Spike Jonze; 2013), não somos apagados, vão os perfis, ficam as lembranças, nossa cabeça se desconecta do ciberespaço, mas não se desliga do coração. Temos sentimentos que sabotam todas as tentativas de fuga da dita realidade, as janelas nos mostram como o mundo existe, estão todos lá, na rua apressados em direção a vida que os motivam, postados nas fotos das horas felizes e procurando acessar novos mundos.

O sexo casual de Megan e Alec é um clique na home page com link para o coração. A casa - sweet home (page or not) - pode ter uma vidraça quebrada (um link deletado), mas não deixa de ser uma experiência vivida.


Aline Vaz

Doutoranda e Mestre em Comunicação e Linguagens, especialista em Cinema e graduada em Letras, pela Universidade Tuiuti do Paraná - pesquisadora no GP GRUDES - Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano em Narrativas Audiovisuais gpgrudes.com.
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