polifonia sem fio

Percepção e Representação de Mundo

Aline Vaz

Doutoranda e Mestre em Comunicação e Linguagens, especialista em Cinema e graduada em Letras, pela Universidade Tuiuti do Paraná - pesquisadora no GP GRUDES - Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano em Narrativas Audiovisuais gpgrudes.com

Ação Urbana LUGAR transforma paisagens em espaços olhados e olhantes

Com olhar criativo e sensível, Tom Lisboa, olha e é olhado para e pela cidade em Ação Urbana LUGAR. O artista cria um “L” (de lugar) no Google Maps e os participantes fotografam os 20 pontos de parada selecionados por Lisboa. Sempre esquinas, as paisagens tornam-se espaços na interação entre o sujeito e a câmera.


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Tom Lisboa, Mestre em Comunicação e Linguagens, acumula vários talentos, professor de cinema e fotografia, também se destaca como artista visual. Vencedor do Prêmio FUNARTE Marc Ferrez de Fotografia (2012) e do Prêmio Porto Seguro de Fotografia (2005) com a série polaroides (in)visíveis, o artista acumula prêmios, curadorias e intervenções urbanas.

Com olhar criativo e sensível, Tom Lisboa, olha e é olhado para e pela cidade em Ação Urbana LUGAR. O artista cria um “L” (de lugar) no Google Maps e os participantes fotografam os 20 pontos de parada selecionados por Lisboa. Sempre esquinas, as paisagens tornam-se espaços na interação entre o sujeito e a câmera.

No catálogo do projeto Denize Araujo chama a atenção para como a participação ativa do espectador que passa a ser interator, desconstrói o conceito de arte de elite, permitindo uma polifonia de vozes, conceito de Bakhtin, transposto ao cenário do projeto. Tânia Bloomfield vê Ação Urbana LUGAR como um jogo, em que se observam as regras estipuladas por Lisboa, mas que pelas operações executadas pelos enquadramentos subjetivos e fotográficos, os lugares assumem diferentes feições. Tom Lisboa evidencia que a participação é livre e as regras, claras. O objetivo é caminhar pela letra “L” e transformar espaços vazios em lugares fundados pelo artista.

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As fotos são publicadas no site do projeto ou no instagram; o participante escolhe. A magia da disponibilidade do material na rede social é que todos podem fazer o mesmo “L”, fotografar os mesmos pontos indicados por Tom Lisboa, mas nenhuma foto é igual. Percebe-se que a cidade nunca é a mesma pra mim e pra você, criando laços de subjetividades entre o que olha e é olhado. O “L” vivenciado pela experiência do caminhar, junto ao olhar fotográfico, resulta do casamento da sociedade com a paisagem, constituindo um espaço afetivo.

Em Cidade Polifônica, Massimo Canevacci, observa que um edifício, por exemplo, "se comunica" por meio de muitas linguagens e a tarefa do observador é tentar compreender a cidade em suas experiências. Existindo uma comunicação entre um edifício e a sensibilidade do observador, constitui-se uma observação observadora. Quando o participante da ação mergulha nos enquadramentos da cidade, observa também a si próprio como sujeito que observa o contexto. Tom Lisboa escolhe o lugar que será fotografado, mas nunca pode prever a fotografia que será clicada.

O projeto já passou por várias cidades do Brasil e outros países também, incluindo, Porto Alegre (RS), Joinville (SC), Diamantina (MG), Parati (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (PR), Istambul, Espanha, Itália, Inglaterra, entre outros lugares enquadrados pelos olhares do artista e outros participantes.

Quer registrar sua viagem no Ação Urbana LUGAR? Tom Lisboa pode fazer um “L”, especialmente, pra você ou se quiser conhecer os lugares já vivenciados por outros participantes é só escolher um “L” e atravessar os enquadramentos com o olhar da câmera fotográfica.


Aline Vaz

Doutoranda e Mestre em Comunicação e Linguagens, especialista em Cinema e graduada em Letras, pela Universidade Tuiuti do Paraná - pesquisadora no GP GRUDES - Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano em Narrativas Audiovisuais gpgrudes.com.
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