polifonia sem fio

Percepção e Representação de Mundo

Aline Vaz

Doutoranda e Mestre em Comunicação e Linguagens, especialista em Cinema e graduada em Letras, pela Universidade Tuiuti do Paraná - pesquisadora no GP GRUDES - Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano em Narrativas Audiovisuais gpgrudes.com

Por um mundo de pessoas fáceis e bem amadas

Todo mundo pode ligar no dia seguinte, puxar assunto e chamar para sair, basta ter vontade. O que vale é expressar os sentimentos, é compartilhar afetos, é fazer o que está afim, quer ligar, pega logo esse telefone aí e liga, não fica dependendo do sinal do além.


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Já ouvi muitos amigos e amigas falando que não ligam no dia seguinte, que não puxam conversa, que não chamam para sair. O argumento? Sentem orgulho. Orgulho é péssimo nesse sentido. Orgulho a gente tem do emprego legal, do diploma, até do look do dia.

Todo mundo pode ligar no dia seguinte, puxar assunto e chamar para sair, basta ter vontade, a mão não cai, a dignidade não está em risco. Assaltar um banco coloca sua dignidade em risco. Se você for desastrada, a mão pode cair usando uma serra elétrica ou uma faca de cozinha, vai saber o quanto você pode ser desastrado.

Isso não é uma critica, é um pelo amor de Deus, parem de frescura, liguem logo, meninos ou meninas, deixem de joguinhos, isso é chato, ou você quer ou não quer. Para os meninos mais tímidos é difícil quebrar as barreiras das interações. Para as meninas isso ultrapassa a timidez, tem a ver com machismo, toda aquela história patriarcal que daria outro texto. Sempre ouvimos aquela advertência: você não pode ligar no dia seguinte (tem que morrer de ansiedade, esperando a boa vontade alheia, para saber se vai rolar ou não). Aí tem aquela outra expressão horrível que sempre te falam: mulher tem que ser difícil para o homem correr atrás. Temos que correr atrás de uma carreira de sucesso, gastar essa energia com coisas que realmente são difíceis e não que se fazem de difícil. Vamos ser práticos, porque a vida já é complicada. Homens e mulheres, sejam diretos, nem todo mundo é atleta e curte “correr atrás”.

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Tem outra expressão medonha que é a seguinte: precisamos nos valorizar. Somos ações da bolsa de valores? Não precisamos nos valorizar, precisamos sentir o que for que estejamos sentindo. Precisamos valorizar nossos salários. Nossa boca e outras coisas não têm preço, têm vontade de se entregar ou não.

O que vale é expressar os sentimentos, é compartilhar afetos, é fazer o que está afim, quer ligar, pega logo esse telefone aí e liga, não fica dependendo do sinal do além. Faz o que você tem vontade, seja fácil, aproveita e para de criar estratégias para aumentar o preço de mercado, está perdendo tempo e tempo é vida.


Aline Vaz

Doutoranda e Mestre em Comunicação e Linguagens, especialista em Cinema e graduada em Letras, pela Universidade Tuiuti do Paraná - pesquisadora no GP GRUDES - Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano em Narrativas Audiovisuais gpgrudes.com.
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