polifonia sem fio

Percepção e Representação de Mundo

Aline Vaz

Doutoranda e Mestre em Comunicação e Linguagens, especialista em Cinema e graduada em Letras, pela Universidade Tuiuti do Paraná - pesquisadora no GP GRUDES - Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano em Narrativas Audiovisuais gpgrudes.com

Filmes brasileiros e os desdobramentos urbanos

As cidades por várias vezes são enquadradas na tela do cinema e acabam por determinar o habitar das personagens na narrativa fílmica. Confira cinco filmes brasileiros que enquadram o espaço urbano e suas personagens, habitantes e habitadas pelas paisagens urbanas: espaços de experiências e (des) afetos.


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As cidades por várias vezes são enquadradas na tela do cinema e acabam por determinar o habitar das personagens na narrativa fílmica.

Confira cinco filmes brasileiros que enquadram o espaço urbano e suas personagens, habitantes e habitadas pelas paisagens urbanas: espaços de experiências e (des) afetos.

São Paulo S/A

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Filme dirigido por Luís Sérgio Person, teve sua estreia no ano de 1965, narrando a história do protagonista Carlos, que na cidade de São Paulo, é engolido pela engrenagem da cidade industrializada e sua arquitetura verticalizada. Uma cidade que não acolhe a personagem, mas a oprime. Carlos é mais um na multidão, é mais um trabalhador, mais um transeunte, não se sente acolhido, mas engolido pelo tédio do cotidiano, pelas paisagens que não criam vínculos afetivos.

Elevado 3.5

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Documentário produzido em 2007, dirigido por João Sodré, Maíra Bühler e Paulo Pastorelo, filma habitantes que se movimentam pelos 3,5 km do Minhocão: via expressa construída na região central de São Paulo, durante a ditadura militar. Alguns moradores movimentam-se pelo minhocão, vivem a sua presença, outros estão estáveis como a construção de concreto, constituem uma paisagem nostálgica, procuram adaptar-se às mudanças da cidade, mudanças do tempo.

O Abismo Prateado

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Karim Aïnouz dirige a adaptação da música Olhos nos Olhos de Chico Buarque. Violeta é abandonada pelo marido, que deixa apenas uma mensagem de voz na caixa postal. Perdida em suas emoções, a personagem perde-se na cidade do Rio de Janeiro: entre a agitação do mar e a invasão dos prédios, ela vaga imersa no abismo urbano. Uma cidade caótica, uma personagem em busca de lugar nenhum.

O Som ao Redor

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Kleber Mendonça Filho narra a vida em uma rua de Recife, privilegiada pela estética da segurança, que funciona como uma metáfora do engenho. No espaço urbano os conflitos sociais são reconfigurados em uma nova forma arquitetônica, com estratégias antigas de socialização. O espaço tem grades físicas e simbólicas, medos construídos no imaginário da classe média, medo de ter o seu mundo invadido por outras classes. As personagens não querem ouvir o som ao redor, não querem perceber o mundo além de suas prisões.

Um Lugar ao Sol

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Por intermédio do livro que mapeia as pessoas da elite brasileira, 125 donos de coberturas, Gabriel Marcaro dirigiu o filme onde entrevista 09 moradores que concordaram em participar da produção, expressando seus desejos, medos, status e privilégios. O documentário revela reflexões acerca do lugar social que as moradias determinam e criam imaginários em relação ao eu e o outro, distanciados por formas arquitetônicas.


Aline Vaz

Doutoranda e Mestre em Comunicação e Linguagens, especialista em Cinema e graduada em Letras, pela Universidade Tuiuti do Paraná - pesquisadora no GP GRUDES - Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano em Narrativas Audiovisuais gpgrudes.com.
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