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Aline Vaz

Doutoranda e Mestre em Comunicação e Linguagens, especialista em Cinema e graduada em Letras, pela Universidade Tuiuti do Paraná - pesquisadora no GP GRUDES - Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano em Narrativas Audiovisuais gpgrudes.com

Novo Cinema Argentino: dramas familiares de (des) afetos

Na realização cinematográfica do Novo Cinema Argentino há uma marca autoral que filma o espaço da intimidade – em especial o espaço da morada – em relação e contraste com os espaços públicos – a capital marginalizada ou o cotidiano bucólico – de uma Argentina democrática, pós-Alfonsin e Menem, em que os personagens nutrem melancolia e resistência. Confira 4 filmes argentinos em que a narrativa se constitui de dramas familiares relacionados com os espaços físicos da casa.


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O Novo Cinema Argentino (NCA) se dá a partir dos anos 90 com a implantação de políticas culturais desenvolvidas no país pelo Fundo de Fomento Cinematográfico do Instituto Nacional de Cinema e Artes Audiovisuais – INCAA. Em 1995, cursos para a produção de filmes são oferecidos e realiza-se o filme Histórias Breves, produção cinematográfica promovida pela FUC, que possibilitou aos primeiros formandos, apoiados pelo INCAA, estrear, em 35 mm, o filme composto de quatro curtas-metragens.

Na realização cinematográfica do NCA há uma marca autoral que filma o espaço da intimidade – em especial o espaço da morada – em relação e contraste com os espaços públicos – a capital marginalizada ou o cotidiano bucólico – de uma Argentina democrática, pós-Alfonsin e Menem, em que os personagens nutrem melancolia e resistência.

Entre as temáticas identificadas no Novo Cinema Argentino nota-se a recorrência de dramas familiares, personagens-habitantes que têm a convivência imposta pelos laços de parentescos e pela impossibilidade de deixar o espaço físico da casa, que por muitas vezes não se caracteriza em lar, pela ausência de afetos entre os membros que ocupam a morada.

Aqui, selecionamos 4 filmes em que a narrativa se constitui de dramas familiares relacionados com os espaços físicos da casa:

1. El Clan (Pablo Trapero; 2015)

Uma casa que é também um cativeiro – o patriarca comanda sequestros, impõe a participação dos filhos mais velhos, as mulheres participam caladas.

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2. Géminis (Albertina Carri; 2005)

Uma família que vive entre as edificações da casa – as paredes escondem, mas as portas revelam dramas incestuosos.

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3. La Cienega (Lucrecia Martel; 2001)

Filmado em Salta, região argentina conhecida pelo forte calor, o filme de Lucrecia Martel abriga uma família que vive da plantação de pimentões, em uma casa de campo, em que a imobilidade é rompida por acidentes – a mãe não sai do quarto, os outros permanecem ao redor da piscina que continua suja impedindo o mergulho

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4. Martín (Hache) (Adolfo Aristarain; 1997)

Martin é um filho sem lar – o patriarca vive sozinho na Espanha e precisa receber o filho em sua casa – que expulso da casa da mãe, é apenas um hóspede na casa do pai.

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Aline Vaz

Doutoranda e Mestre em Comunicação e Linguagens, especialista em Cinema e graduada em Letras, pela Universidade Tuiuti do Paraná - pesquisadora no GP GRUDES - Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano em Narrativas Audiovisuais gpgrudes.com.
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