polimorfismo cultural

A cultura transposta num polimorfismo de subversão cognitiva... pare, leia e transcenda!

Leandro Godoy

''Não é o cérebro que mais importa, mas sim o que o orienta: o caráter, o coração, a generosidade, as ideias progressivas.'' - Dostoiévski

O Homem que Não Estava Lá: A Sátira do Mundano na Visão dos Geniais Irmãos Cohen

O Homem que Não Estava Lá de 2001 é uma ácida sátira à vida comum, ao mundano que prende as pessoas numa vida onde a rotina é a roda dentada da monotonia, algo que deprime e nos faz perder a fé na liberdade e na esperança de felicidade.



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O filme começa com a narrativa do personagem do talentoso Billy Bob Thornton que está preso num cotidiano tedioso que ele começou a questionar e aprendeu a odiar, algo que a superfície de sua personalidade não deixa transparecer. Para as pessoas que o rodeiam, Ed Crane (Billy Bob Thornton) é o mesmo conformista feliz na sua vida de conveniências, no seu emprego numa barbearia local onde ele trabalha com seu cunhado verborrágico, e na sua vida conjugal com sua vaidosa esposa Doris (Frances McDormand) que passa seus dias usando sua simpatia para conseguir comprar maquilagem, roupas e perfumes pela metade do preço. Eles não poderiam estar mais enganados.

Em O Homem que Não Estava Lá os irmãos Cohen se inspiram nos filmes noir da década de 1940 e 1950 para a construção de sua estrutura narrativa. Se utilizando de uma fantástica fotografia preto e branco que dá um clima pessimista e sombrio, eles contam esta estória que mostra pessoas comuns e pacatas que cometem crimes motivados por uma pitada de vingança, ambição e desapontamento com a ordem vigente que moldam suas vidas. Como em quase todos os seus filmes, os personagens pagam pelas suas atitudes mesmos se elas forem bem intencionadas - algo muito difícil de se acontecer - todo erro gera uma reação inesperada que gera outro erro e assim sucessivamente até chegar ao ápice dramático e trágico.

As dissertações carregadas de monotonia do personagem de Billy Bob Thornton que ao longo do filme se transforma no perfeito anti herói Dostoievskiano, são docemente niilistas e deprimentes, que remetem a sua vontade de se libertar desta rotina e deste conformismo, que para ele perdeu o sentido quando suas verdades absolutas foram despedaçadas. Somos transportados para essa sua vida pacata e ordinária e até sentimos pena quando os seus planos inescrupulosos não dão certo... sacada de gênio dos irmãos Cohen!

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Os irmãos Cohen não poderiam estar mais inspirados para a concepção desta estória, tudo acontece de uma forma singela e poderosa, apesar de algumas partes do filme serem previsíveis, isto não tira o efeito surpresa e nem diminui a nossa ânsia de querer saber qual será o destino dos personagens que aprendemos a gostar ou a odiar no decorrer do filme. A direção dos Cohen é singular, eles conseguem transformar seus filmes em algo único com planos sequências e fotografia ousadas, belas e originais.

Nos créditos finais o nome que aparece como diretor do filme é apenas de Joel Cohen, mas isso não muda o fato de seu irmão Ethan Cohen também ter participado da direção, já que um não trabalha sem o outro, seja na construção do roteiro, na produção ou na direção do filme. Boa sessão!

Trailer:

Leandro Godoy

''Não é o cérebro que mais importa, mas sim o que o orienta: o caráter, o coração, a generosidade, as ideias progressivas.'' - Dostoiévski .
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