polimorfismo cultural

A cultura transposta num polimorfismo de subversão cognitiva... pare, leia e transcenda!

Leandro Godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música.

Violent Cop: Uma obra de arte da violência

O primeiro filme de Takeshi Kitano como cineasta é uma perfeita obra-prima da violência, este filme é conduzido como a um balé. A obra nos eleva com sua brutalidade romanceada, nos choca com sua repulsividade e nos encanta com sua narrativa selvagem.


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Em seus filmes Takeshi Kitano mescla violência visual com uma narrativa com poucos diálogos e quase nenhuma trilha sonora, quando há trilha sonora ela é erudita dando um clima melancólico à ação. Em Violent Cop de 1989 o cineasta usa a violência como uma ferramenta de choque procurando atingir um clímax dramático que chega ao seu ápice na conclusão final da estória, algo que ele concebeu com perfeição e maestria. A violência urbana é o ponto principal de quase todos seus filmes, acho que é por isso que sua obra consegue extrair emoções e impactos verdadeiros e fulminantes, por causa da representação fiel e brutal deste que é um dos maiores problemas enfrentados pelas grandes metrópoles.

Em Violent Cop ou Sono Otoko, Kyôbô ni Tsuki no Japão, Takeshi Kitano mostra o cotidiano de um policial, que é interpretado por ele mesmo, que utiliza métodos nada convencionais e anti-éticos para combater o tráfico de drogas. Este tipo de conduta leva Azuma (Takeshi Kitano) a ter vários inimigos, não só no mundo do crime mas também dentro da corporação em que trabalha, até que um dia ele descobre uma rede de corrupção dentro da força policial, algo que leva a morte de seu melhor amigo e o rapto de sua irmã portadora de deficiência mental por traficantes.

Azuma (Takeshi Kitano) não mede esforços e nem as consequências de seus atos para repreender algum criminoso, o filme começa nos mostrando como ele age diante da criminalidade juvenil sem nenhum medo e pudor perante as rígidas leis que protegem os menores de idade no Japão, demonstrando a sua total aversão ao sistema. Vemos o desenvolver da complexidade do personagem no decorrer do filme, a sua loucura e selvageria é personificada de forma gradativa a cada nova situação de êxtase e de como ele usa a violência para resolver qualquer tipo de infortúnio, desde proteger sua bela e doente irmã de aproveitadores até torturar traficantes em busca de informações, dando enfase na convicção de que a natureza humana é selvagem e bárbara e a civilidade é um mero capricho das conveniências.

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Neste filme a ação é muito bem executada demonstrando toda a grandeza cinematográfica de Takeshi Kitano, desde o roteiro muito bem escrito até os planos sequenciais que mesclam drama com um clímax violento que nos surpreendente e nos choca.

Este filme foi a inspiração que o cineasta underground norte-americano Abel Ferrara teve para conceber o clássico dos filmes sobre policiais inescrupulosos, a obra-prima Vício Frenético de 1992. Violent Cop é brutal, polêmico e desconcertante, algo que facilmente pode chocar pessoas que não estão acostumadas com a narrativa selvagem e repulsiva do cinema oriental quando os seus filmes focam em temas pesados e críticos, e se você ainda não conhece o multitalentoso Takeshi Kitano, este filme que o lançou a fama e ao statos de cult, é um bom começo, e conheça também a fonte onde cineastas norte-americanos como Quentin Tarantino e Martin Scorsese bebem abundantemente.

Trailer


Leandro Godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música..
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