polimorfismo cultural

A cultura transposta num polimorfismo de subversão cognitiva... pare, leia e transcenda!

Leandro Godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música.

A caverna dos sonhos esquecidos

A Caverna dos Sonhos Esquecidos é uma obra de uma sensibilidade extrema, é uma ode à nossa existência que vai além da carne, sangue e tecnologia. Nós seres humanos nos diferenciamos das outras espécies por sermos sensitivos e adaptativos e não por causa de nossa inteligencia, até porque não somos inteligentes, estamos longe disto.


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O documentário de 2010 dirigido pelo o gênio Werner Herzog nos faz pensar em nossa existência moderna através de um longínquo passado, representado por desenhos rupestres feitos por seres humanos na parede de uma caverna, datados de 35.000 anos atrás, bastante preservados e melancolicamente vivos.

A caverna de Chauvet localizada no sul da França é uma imponente caverna que guarda estes registros milenares. Quando Werner Herzog nos leva para dentro da caverna através de sua câmera, já sentimos a claustrofobia nos sufocando, causando ânsia e agonia. Quando ele penetra ainda mais na caverna este sentimento ruim logo se esvai dando lugar a uma nostalgia genética, ou seja, aquilo de alguma forma nos parece familiar mesmo sendo uma realidade de nossos antepassados a milhares de anos esquecidos. Quando as pinturas rupestres vão aparecendo no filme, vemos que a vontade de se comunicar e deixar algum conhecimento adquirido durante uma vida para a prosperidade não é só uma vontade dos homens mais evoluídos, ali vemos como a natureza há 35.000 anos atrás estava em sua perfeita simbiose desde o aparecimento do homo sapiens, naquela era o homem sabia viver em harmonia com a natureza e todos os seus sentidos.

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As pinturas rupestres desta caverna representam a magnitude de cavalos selvagens, rinocerontes, leões da montanha, ursos das cavernas e mamutes aos olhos do homem que absorvia os conhecimentos da natureza usando seu espírito e instinto evoluídos providos da consciência do seu lugar no mundo, usando de sua inteligencia apenas para a sobrevivência e perpetuação de sua espécie. Aos olhos do tempo, somos uma espécie complexa e auto-adaptativa mas também parasita, que de alguma forma nos adaptamos ao mundo destruindo-o e também inventando-o, substituindo a natureza com nossas criações artificiais e efêmeras.

Sentimos durante o filme, como se os homens que fizeram estas pinturas estivessem incomodados com nossa presença na caverna, como se eles estivessem envergonhados de ver o que nos tornamos, dizendo que deixem esta cápsula do tempo em paz, nós não a merecemos. Algumas perguntas existenciais são impossíveis de não se fazer ao término deste filme, com toda a narrativa transcendental e poética de rara sensibilidade usada por Werner Herzog. O que deixaremos para a geração futura? Será que voltaremos a ser homens das cavernas ou seremos apenas extintos por nossa própria ignorância? Se sobrevivermos, como a geração futura que será mais evoluída, nos verá com todas as mensagens que deixaremos imortalizadas nas redes sociais e nas nossas facilidades tecnológicas que já se tornaram parte de nossa identidade como carros, computadores e celulares? Será que deixaremos nossa espécie evoluir? Estas foram as minhas perguntas, quais serão as suas?

Trailer:


Leandro Godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música..
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