polimorfismo cultural

A cultura transposta num polimorfismo de subversão cognitiva... pare, leia e transcenda!

Leandro Godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música.

13 Assassinos: O Retorno Triunfal dos Samurais a Sétima Arte.

Este filme é um remake de um grande clássico do cinema japonês, um filme homônimo de 1963 dirigido por Eiichi Kudo que é o primeiro da trilogia Rebelião Samurai. O filme conta a estória de um líder tirânico e homicida em uma época de paz.


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O filme se passa no Japão feudal em 1844 logo após a era das guerras, uma época onde os samurais já não tinham mais utilidade para a política japonesa e foram descartados, apenas alguns remanescentes ainda eram usados para a proteção pessoal da família dos xoguns enquanto outros perambulavam na miséria ou tentavam viver em paz em lugares inóspitos, duas coisas vergonhosas para os guerreiros que nasceram para a guerra e para glória.

Lorde Naritsugu, meio-irmão do xogum, era um gangster que cometia crimes em nome das tradições, um tirânico líder que estuprava e matava sem piedade afim de se livrar do tédio que era o Japão sem guerras, um louco com um poder supremo de mudar e ditar o destino das pessoas que ele governava das quais ele não sentia piedade e nem compaixão, para ele o seu povo não passavam de animais que poderiam ser facilmente sacrificados para sua simples diversão. Então, este líder começou a ser um peso para o xogunato, alguns políticos importantes cometeram harakiri (suicídio) em protesto para a loucura de Lorde Naritsugu. A única alternativa de livrar o Japão deste sanguinário era assassiná-lo antes dele presidir o conselho que governava todo o país, assim ele se tornaria o homem mais poderoso do Japão podendo levá-lo a uma outra era das trevas. Assassina-lo era uma missão nobre e impossível de se realizar, já que ele era protegido por uma legião de samurais treinados para dar suas vidas para protege-lo.

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Esta missão não era nada impossível para mestres samurais dispostos a dar suas vidas para defender seu país de tiranos, então 13 ronis (samurais sem líder) foram alistados depois de terem presenciado as atrocidades de Lorde Naritsugu, mercenários que buscavam a recompensa da glória e a nobreza perante o seu ego e ao povo japonês, uma ultima batalha antes do fim, uma missão que os levaria a uma morte honrosa, algo que era muito importante para os samurais e que lhes foram tirados com o fim da era das guerras, onde seus serviços não eram mais importantes e sua cultura foi desmantelada.

Os samurais não poderiam estar mais bem representados no cinema, Takashi Miike é um mestre para filmar cenas de ação com conotações filosóficas. A estória da primeira metade do filme é bem construída dando uma razão lógica para a missão suicida dos samurais, a segunda metade é pura adrenalina, mais de 50 minutos de uma batalha frenética, sanguinária e absurda de 200 homens contra 13. Não espere cenas de ação onde a gravidade é zero e as lutas são coreografadas como danças, aqui as cenas de ação são brutais e cruas.

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O filme é baseado em fatos históricos, realmente o Lorde Naritsugu existiu da forma descrita e o xogunato tinha um plano de assassiná-lo. O filme fundamenta sua estória na trajetória do Lorde que morreu misteriosamente no caminho do xogum que ele comandava até a cidade que ele viria a ser eleito para presidir o conselho, então, a fantasia dá lugar ao mistério.

O lendário cineasta Takashi Miike dirige este filme épico afim de levar aos jovens japoneses deste começo de século a cultura samurai que foi muito importante para toda cultura milenar japonesa. Os filmes de Takashi Miike são cultuados pelos jovens do Japão, jovens estes bombardeados por todo o tipo de informação que tornam suas memórias em algo efêmero, algo típico numa sociedade onde a tecnologia é algo vital. Takashi Miike encara esta missão nobre, digna de um perfeito samurai, depois deste filme ele viria a fazer o remake de Harakiri de 1962. Miike começa seu filme com uma menção a um outro fato histórico esquecido pelos os jovens japoneses, a destruição de Hiroshima e Nagasaki pelas bombas nucleares na segunda guerra mundial, com os dizeres: ''Um homem extremamente cruel queria alcançar o poder. Os samurais tencionavam a impedi-lo. Eles conspiravam contra o irmão mais novo do xogum. Esta é uma história japonesa que aconteceu cem anos antes da bomba de Hiroshima e Nagasaki.''


Leandro Godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música..
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