polimorfismo cultural

A cultura transposta num polimorfismo de subversão cognitiva... pare, leia e transcenda!

Leandro Godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música.

Fruitvale Station: A Última Parada de Oscar Grant

Fruitvale Station de 2013 é um filme baseado em fatos reais e plasticamente verossímel que acompanha as últimas horas de vida de Oscar Grant, brilhantemente interpretado por Michael B. Jordan. Um retrato da vida de muitas pessoas comuns, um conto da injustiça, uma ópera dos impropérios provocado por uma grande tragédia.


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O filme começa com o vídeo real do assassinato de Oscar Grant cometido por um policial, que foi filmado pelos os celulares dos passageiros que em 2007 estavam no trem do metrô de Fruitvale Station localizado em San Francisco, a última parada do californiano que se transmorfaria no mártire dos conflitos raciais que ainda afligem os EUA neste começo de século XXI.

A obra dirigida e roteirizada pelo o estreante Ryan Coogler conta esta história de forma despretensiosa e singela, não rotulando como monstros os policiais que trabalhavam na estação e nem dando vida a cenas de ódio racial de forma visceral, mas colocando os cidadãos estadunidenses num contexto onde as discrepâncias provocadas pelo o racismo e classicismo estão instaladas na cultura das grandes metrópoles.

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O filme nos mostra como os cidadãos de periferia nos EUA ainda são alvos de infortúnios e subjugação perante a sociedade, ainda como eles são considerados inferiores nesta civilação próspera do primeiro mundo, seu lugar nos subempregos e como vítimas de discriminação por seu estilo de vida e cor de pele.

O país da democracia vigiada lançam suas câmeras icógnitas nestas pessoas como lanças e seus seguranças como cães de guarda, e a mídia que tem o medo como forma de perpetuar e alienar sua audiência os rotulam como seres humanos perigosos, que devem ser evitados pela a segurança de seus filhos e filhas que vivem nos centros financeros e prósperos das grandes cidades. O diretor Ryan Coogler propositalmente, logo no começo do filme, mostra o vídeo real do assassinato de Oscar Grant tentando despertar o sentimento de prepotência e desconfiança das pessoas que veêm os negros como pessoas perigosas fazendo com que elas expressem aquela famosa frase, ''tenho certeza que ele não estava rezando... ele deve ter merecido''.

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Ao contrário do que pensamos, ao longo do filme, o diretor nos mergulha de forma magistral nos últimos momentos da vida de Oscar, em suas angústias, sonhos, frustações e realizações e o sentimento trazido ao seu final é de pura indignação pela a injustiça cometida contra Oscar, um sentimento real e verdadeiro que em muitos anos um filme de drama não proporcionava, por mais racista e classicista que você seja, você será tomado pela a fúria e sentirá com vigor a tragédia que recaiu sobre Oscar e sua família, repensando a sua posição sobre esta perigosa linha de pensamento.

Somos genialmente impelidos pelo o diretor e pelo o belíssimo trabalho do protagonista Michael B. Jordan, a assistir passivos e angustiados a vida de Oscar já que desde o início já sabemos qual será o seu destino trágico, uma vida que é totalmente diferente do que as mídias tentam com vigor esteriotipar àqueles que vivem nas periferias das grandes cidades. Por algum infortúnio que pode atingir a qualquer um estas pessoas vivem na marginalidade, elas tem um senso de vida voltado para o social muito mais realista do que os que vivem alienadas no seu mundo fantástico criado pela a TV, e por isso grande parte delas entendem o mundo como ele é, não se perdem nas curvas da vida, aproveitando-a em todas suas formas e sentidos, muitas destas pessoas não deixam de viver por não saberem se orientar neste mundo. Assim é Oscar, assim é você... se quiser, se tentar.

Trailer:


Leandro Godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música..
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