polimorfismo cultural

A cultura transposta num polimorfismo de subversão cognitiva... pare, leia e transcenda!

Leandro Godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música.

O Lobo de Wall Street: O Mercado Financeiro segundo Scorsese.

O novo filme de Martin Scorsese é uma aula sobre cinema, uma adaptação sem amarras morais de uma vida degenerada de um dos maiores lobistas da história financeira dos EUA.


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O que vemos aqui não é uma ode à pisicopatia como disse a filha de um dos corretores que foi sócio de Jordan Belfort na vida real, mas um épico das consequências da febre pelo o estilo de vida norte-americano, e o uso inconsequente das oportunidades dada nesta terra de esperanças e liberdades duvidosas.

Os EUA há tempos constroem psicopatas e sociopatas a partir de pessoas comuns que querem usufruir de suas entranhas capitalistas, se conectar com o materialismo de forma sobre-humana e imprudente, para isto, basta ter muita inteligencia, ganância e nenhum sentido de moralidade.

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Este filme faz uma retratação do submundo do negócio mais selvagem que o capitalismo pode oferecer, o universo das bolsas de valores, como isso pode destruir o ser humano à partir de seus sonhos de consumo. Jordan Belfort que foi um dos roteiristas deste filme que o diga, um puritano que do dia para noite se torna num homem de negócios libertino, um dos maiores gênios de Wall Street. Ele é interpretado magistralmente por Leonardo di Caprio, num momento inspiradíssimo de sua carreira.

O elenco dá um show a parte, Matthew McConaughey interpreta o mentor de Jordan Belfort, um personagem insano que o ensina que no mundo de Wall Street a consciência é algo perigoso e desnecessária, e a ambição instigada por drogas e masturbação é o único sentimento a ser respeitado e nutrido. Jonah Hill também está fabuloso como o melhor amigo e sócio do personagem de Leonardo di Caprio. Será que estamos presenciando o nascimento de uma nova dupla nesta fase recente de Scorsese, como um Robert de Niro e Joe Pesci? Lógico que eles tem que comer muito feijão com arroz ainda, mas admito que Leonardo di Caprio e Jonah Hill tem potencial.

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Martin Scorsese constroi uma obra subversiva genial de humor negro explícito, ele não alisa as cabeças dos que podem se sentir ofendidos, mostrando figuras deturpadas e fora do contexto da mensagem que ele quer transmitir. Em O Lobo de Wall Street vemos os efeitos devastadores das drogas de uma forma cômica e triste, ao mesmo tempo que damos risadas dos personagens ''chapados'' também sentimos pena de vê-los neste estado tragicômico.

O filme é polêmico mas não porque Scorsese quis assim, mas pela a natureza dos fatos. O abuso de drogas é muito explícito e detalhado, possui várias cenas de sexo (algo do tipo erótico e hardcore sem ser pornográfico) e comentários maliciosos como ''as freiras são todas lésbicas'', brincadeiras politicamente incorretas com deficientes físicos, o recorde da menção da palavra ''Fuck'' na história do cinema (ela foi citada 569 vezes ao longo do filme, aproximadamente uma vez a cada 20 segundos), e a deturpação do significado da força do espinafre dada para o Popeye (alguém aí se lembra deste desenho?). Tudo isto podem dar a este filme a denominação ''punk'', como disse Leonardo di Caprio que também produz a obra. A controvérsia deste filme fez com que ele fosse banido de vários países como na Malásia e no Nepal. Nos outros países onde ele foi aceito nos seus cinemas, a obra teve que ser ''mutilada'' para se adaptar a estas culturas, em alguns lugares como nos Emirados Árabes o filme teve 45 minutos cortados.

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Para mim, este filme sofreu uma censura desnecessária, a paranóia falou mais alto na mente dos censores, até porque ele critica de forma visceral o estilo de vida norte-americano. Algo que estes países mencionados repudiam. Sobre isto, Martin Scorsese disse: "Que sejam os outros os que falem da situação de nosso sistema jurídico a partir do que mostro. Dos nossos valores como sociedade. Não sou juiz, só faço cinema. Na verdade, apenas tive contato com Jordan Belfort durante a filmagem [...] É a história de uma loucura, da obscena mentalidade de um negócio podre, e assim quis retratá-lo. Sem amarras, com toda a liberdade de que necessitava para deixar clara a impunidade com a qual meus personagens atuavam".

Esta depravação de conceitos morais e sociais não é uma premissa apenas para muitos dos investidores que estão ali no meio de toda aquela selvageria, também é um conceito admirado e invejado por muitos que querem estar em suas posições, ou ninguém ouviu falar da simpatia que os turistas fazem quando vão visitar Wall Street? ''Pegue no saco do touro de bronze, e será rico!''

Trailer:


Leandro Godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música..
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