polimorfismo cultural

A cultura transposta num polimorfismo de subversão cognitiva... pare, leia e transcenda!

Leandro Godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música.

Whiplash: A Imperfeição do Ego

Este drama com certeza é uma obra-prima, não apenas pelo o seu conceito artístico exacerbado pela a direção frenética e delicada de Damien Chazelle que também escreveu o seu roteiro mas por sua imagética que nos prende na linha de frente de tudo o que o jazz representa como força, emoção, técnica, energia sobre-humanas.


whiplash.jpgMiles Teller e JK Simmons

Whiplash pode ser considerado um clássico instantâneo por seu contexto atemporal que foca na capacidade humana de superar limites mesmo que estes sejam impostos por diretrizes ortodoxas modernas que filtram tudo aquilo que seja tirano, beirando a insanidade.

Terence Fletcher é um professor do conservatório de Shaffer uma das escolas de música mais respeitadas do mundo, ele é brilhantemente interpretado por JK Simmons. Terence Fletcher é um tirano egocêntrico que não mede esforços para conseguir atingir a perfeição técnica que deseja para seus alunos e sua banda, ele não acredita nos métodos adotados por professores para poupar seus alunos dos sacríficos e sofrimentos inerentes daqueles que querem atingir a perfeição suprema, e os levam ao máximo da humilhação implantando com veemencia o terror físico e psicológico.

O jazz é um gênero musical que preza a técnica e apenas músicos privilegiados são capazes de dominar toda sua complexidade, neste gênero apenas a genialidade artística e o talento musical não bastam sem o estudo e a disciplina. Então o excepcional baterista Andrew, interpretado por Miles Teller que realmente é um bateirista profissional, quer ser um dos maiores músicos de jazz dos EUA e acredita que apenas atingirá este objetivo obtendo o reconhecimento do doutrinador Terence Fletcher, uma perspectiva que o levará a degradação física e mental.

As cenas em que Terence Fletcher está na sala de aula testando os limites de seus alunos são extremamente tensas e angustiantes, acompanhados pela a direção perfeita de Damien Chazelle, temos a sensação de que até os instrumentos sofrem com a pervercidade dos métodos do professor autoritário. A câmera acompanha os detalhes do sax quando seu condutor está lutando para manté-lo afinado, o choro do baixo que chega ao máximo de sua capacidade, o cansaço do violoncelo que luta para se manter em perfeita sintonia rítmica, mas nada se compara com a presença da bateria em cena, ela é visceral tendo de estar em perfeita sicronização entre uma batida e outra conduzindo a sonoridade magistral do jazz onde o suor e o sangue de quem a toca se mistura ao instrumento.

Portanto este filme não é apenas uma ode ao jazz mas também é um drama psicológico da batalha de egos entre aluno e professor, todas as conseguências catastróficas de quando o pupilo desafia o mestre. O filme nos conduz como a perfeição do jazz, nos preparando emocionalmente com uma melodia calma mudando com algumas tensões rítmicas nos fazendo sair do torpor proporcionado pelos sons hipnóticos até chegar ao crescente final, constituido por um rítmo frenético que explode nossos sentidos. Enfim, esta obra possui uma das cenas finais mais geniais que já presenciei no cinema tendo como palco o lendário Carnegie Hall.


Leandro Godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música..
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