ponto e vírgula

Opinião sem reticências...

Constance von Krüger

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Avenida Verde (Poema a Cesário Verde)

Poema a Cesário Verde, poeta português


cesario verde.jpg Quisera sair à rua – à rua, marcharia. Não a rua dos prédios, a rua dos postes, a rua do não sei quem pode me seguir. Mas à rua da liberdade, à rua do verso livre, que só em tal endereço pudesse descrever um passarinho noturno que rimasse com solidão e mal-me-quer... Onde as cores seriam tais que em nenhum arco-íris caberiam – Cores de vida, vários tons e matizes de respiração, cores de verdade, de paz, reflexão e amor. Não o amor dos namorados mas o amor do poeta, aquele desfigurado e roto, que maltrata e desorienta e a amada nem desconfia. Quisera à rua ir, quisera a rua colorir. Não das cores de bandeiras, de brasões ou estatuetas, mas das cores do andar, do caminhar sem rumo Um poeta flaneur, não flaneur porque sem rumo, mas sem rumo porque flaneur. Que pelos versos livres, rumasse sem direção Sem mapa, sem guia, sem pressa, colorindo de verdade o que a rima não sustenta, matizando de essência o que na métrica não cabe. Quisera sair sem rumo, quisera não mais pensar. Quem começa sem um guia, não pode nunca chegar, mas se a chegada é inevitável, me empresta teu Verde, Cesário, que é de cor e rua que o verso é.

Constance von Krüger
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