por trás do espelho

reflexões involuntárias

Eli Boscatto

Formada em Ciências Políticas e Sociais, curiosa, inquieta, adora se emocionar. Pretensa poeta.

Cavalo Louco e os Povos Indígenas


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Ao lado de Touro Sentado, Cavalo Louco conduziu seus guerreiros durante a batalha de Little Bighorn, onde morreu o célebre General Custer. Cavalo Louco foi um respeitado ameríndio Sioux, líder militar da tribo dos Oglala Lakota. Seu povo além de lutar contra a Cavalaria americana também vencera várias tribos rivais. A história do povo Sioux é contada no belo filme “Enterrem meu Coração na Curva do Rio” lançado em 2007. O título diz muito sobre como se sentiam os grandes chefes das tribos por ocasião da conquista do oeste americano. Nos rostos de feições firmes e altivas pode-se notar uma expressão de coragem, força e sabedoria advinda do orgulho por seu povo, suas terras, seus rituais sagrados.

Em 2 de agosto de 1867, Cavalo Louco participou do ataque a Wagon Box Fight, na chamada guerra do chefe Nuvem Vermelha. Depois de mineiros de Black Hills desrespeitarem o Tratado de Fort Laramie (1868), que foi assinado pelo chefe cheyenne Little Wolf para por fim à guerra, e matarem o índio Little Hawk, Cavalo Louco e Touro Sentado realizaram o primeiro grande ataque às tropas militares em agosto de 1872. Em 17 de junho de 1876, Cavalo Louco e mais de 1500 índios atacaram o General George Crook, dando início à chamada Guerra Sioux. A batalha fez com que o General Crook ficasse sob o comando do General Custer. Em 15 de junho de 1876, Custer atacou um acampamento de Lakotas e Cheyennes, dando início à Batalha de Little Bighorn, na qual morreu juntamente com os seus homens.

Os guerreiros Sioux os chamados homens-búfalo, liderados por Cavalo Louco e Touro Sentado, lutaram bravamente para defender suas terras e a identidade do seu povo; recusavam se submeter à política do governo americano e venceram muitas batalhas, mas em 5 de maio de 1877 com seu povo cansado e faminto acabaram por se render às tropas do General Crook em Nebraska.

Consta que em alguns estados americanos, após a derrota dos indígenas, foram criados internatos para ensinar às crianças a cultura, a religião e a língua do homem branco com o pretexto de torná-las civilizadas. Essas crianças eram então tiradas à força de suas famílias e levadas para essas instituições onde lá ficavam até uma determinada idade. Ao retornar às suas famílias não haviam aprendido nada sobre seu povo e para o homem branco eram apenas cidadãos de segunda classe à quem eram reservados os trabalhos menos qualificados. Então, começavam os ameríndios a perder sua identidade, não eram nem uma coisa nem outra, ficariam no limbo, numa fronteira insólita.

Mas há porém que se lançar sobre os povos indígenas, um olhar que passe ao largo do estigmas de apenas vítimas ou então selvagens antropófagos. Os índios já foram sacralizados e demonizados conforme a época e o interesse político das américas colonizadas. Mas os indígenas foram antes de tudo seres humanos que viviam em grupos sociais que também poderiam se chamar, antes dos povos do velho continente aqui chegarem; de nação, com suas crenças e seus costumes. E, como humanos que eram também gostavam das disputas entre si, eram povos guerreiros. Quando o homem branco chegou, se encantaram com as facilidades e também com os vícios do mundo civilizado mas ao que tudo indica, fizemos mais mal à eles do que eles à nós.

Os povos nativos do novo continente que comungavam com a Natureza, tinham uma sabedoria própria. A diversidade cultural é o legado que veio com eles e que enriquece a alma da nossa civilização.

Oração Sioux Ó Grande Espírito, cuja voz ouço nos ventos, cujo sopro anima o mundo, ouça-me. Sou pequeno e fraco, preciso de sua força e sabedoria. Permita que eu caminhe na Beleza, e faça que meus olhos contemplem para sempre o vermelho e a púrpura do sol poente. Faça com que minhas mãos respeitem todas as coisas que o Senhor criou. Faça meus ouvidos aguçados para que eu ouça a sua voz. Faça-me sábio para que eu possa entender tudo aquilo que o Senhor ensinou ao seu povo. Permita que eu apreenda os ensinamentos que o Senhor escondeu em cada folha, em cada pedra. Busco força, não para ser maior do que meu amigo, mas para lutar contra meu maior inimigo – eu mesmo. Permita que eu esteja sempre pronto para ir até o Senhor de mãos limpas e olhar firme. Assim, quando a minha vida estiver no ocaso, como o sol poente, que meu Espírito possa ir à sua presença, sem nenhuma vergonha.


Eli Boscatto

Formada em Ciências Políticas e Sociais, curiosa, inquieta, adora se emocionar. Pretensa poeta..
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