por trás do espelho

reflexões involuntárias

Eli Boscatto

Formada em Ciências Políticas e Sociais, curiosa, inquieta, adora se emocionar. Pretensa poeta.

Reflexões sobre o "politicamente correto"

Rótulos me incomodam e esse termo me inquieta por sua conotação pejorativa, parece alguma coisa ditada pelo “modismo” e completamente vazia de qualquer boa intenção verdadeira, e já começam a surgir correntes contrárias de pensamento.


pensador_~k0535244.jpg Para os que são contrários, os chamados “politicamente corretos” são no mínimo ingênuos - não vivem num mundo real - e no máximo mal intensionados. Essa expressão soa suspeita e sem dúvida está aí algo que pode ser largamente utilizado para fins políticos, e é.

Vamos então ao que hoje é rotulado de “politicamente correto”: defender os animais e o planeta, achar que a natureza é sempre bela, achar que as minorias raciais, indígenas, sexuais também têm direitos, que a diversidade cultural é boa , que as religiões querem a mesma coisa, que a democracia é o regime ideal de governo e que somos todos iguais. Greenpeace2.jpg

Deixando de lado os exageros que costumam surgir sobre o assunto, não há como negar que existem espécies animais em extinção ou já extintas e que o planeta de fato está cada dia mais mal tratado por causa do progresso acelerado, do crescimento desordenado das cidades, do aumento da população; enfim tudo isso que a gente já sabe. Mas nesse ponto, concordo que se for para “levantar bandeiras” é melhor que seja com conhecimento de causa, e claro que ninguém pretende voltar ao tempo das cavernas. 737414971_1617045.gif

Já ouvi absurdos do tipo “como alguém pode dizer que defende os animais se come a carne deles?”. Mas matar um animal para se alimentar é diferente de matá-lo por esporte, por considerá-lo iguaria exótica de luxo, para a indústria da moda e por crendices. Mesmo para o alimento cotidiano, a morte do animal hoje em dia não precisa ser cruel. E por que preciso usar cachorros por exemplo, para testes de medicamentos e cosméticos?

Acho justo que as minorias queiram direitos jurídicos iguais e não caiam na armadilha fácil de “vítimas” eternas à espera de um salvador, porque autopiedade paralisa e as tornam presas fáceis dos interesseiros de plantão.

Já li coisas do tipo “os politicamente corretos se acreditam salvadores da humanidade”, “é mentira que somos todos iguais”.

Sou do tipo "pessimista"(esta aí um rótulo que talvez servisse para mim), não acredito na salvação da humanidade e de fato não somos todos iguais, temos diferenças biológicas, genéticas, culturais, educacionais, diferenças de classe; mas à despeito de tudo isso, enquanto humanos somos iguais com tudo de ruim que essa espécie tem, portanto “humano” não é sinônimo de “bonzinho” muito pelo contrário, o que não deixa de ter sua relevância. pluralismo.jpg

Está claro também que as religiões não querem a mesma coisa e que a natureza é tão bela quanto cruel o que não exclui a beleza, e quanto à democracia, acredito ser o regime de governo menos ruim depois de tudo que já foi visto até hoje.

Já a diversidade cultural me parece muito interessante na medida em que ela pode nos ensinar a conhecer as diferenças que existem desde sempre, o que não implica em aceitar costumes desumanos.

A humanidade não tem salvação mas já que estamos dividindo o mesmo planeta não custa tentar no mínimo, viver um pouco melhor. Há coisas muitos simples desde que o mundo é mundo, pelo menos o mundo dito civilizado, como educação, bom senso e tato. Mundo2.jpg

O propósito de todo rótulo é desqualificar e este coloca tudo na mesma vala comum das mentiras e hipocrisias o que caberia muito bem para justificar atitudes de intolerância ou de total indiferença.


Eli Boscatto

Formada em Ciências Políticas e Sociais, curiosa, inquieta, adora se emocionar. Pretensa poeta..
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