O filme O Senhor das Moscas foi lançado em 1963 mas continua atual porque se concentra nas fraquezas humanas, aquelas que quando tudo está dentro da normalidade, se encontram sublimadas, mas latentes. Até onde conhecemos o outro e até onde nos conhecemos?
O Senhor das Moscas foi baseado no livro do escritor inglês William Golding escrito em 1954, considerado um dos grandes pessimistas da literatura. Mas o escritor tinha apenas uma visão antiutópica sobre as boas intenções humanas quando postas à prova.
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No filme, um grupo de meninos de uma escola militar se encontra perdido em uma ilha deserta depois de um acidente aéreo. Como é comum nessas situações, logo surge um líder natural entre eles , cuja as determinações num primeiro momento, são aceitas por todos.
Apesar da condição em que se encontram, tudo parece se encaminhar bem , até que a luta pela sobrevivência diária e a falta de esperanças de serem resgatados começa a demonstrar o lado não tão nobre de cada um. O que a princípio pareciam ser instintos democráticos, dá lugar aos mais selvagens e primitivos instintos.
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Um dos meninos começa a competir pela liderança do primeiro e a estimular os outros contra ele. No grupo, um deles por ser gordo e usar óculos é uma vítima potencial do que se chama hoje de bullying, porém, enquanto o primeiro líder mais sensato e de boa índole consegue manter o grupo unido e sob controle, eles o deixam em paz. Mas depois, quando todos acabam se debandando para o outro lado, o menino acaba se tornando alvo do sadismo dos demais.
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A desde sempre presente luta entre o bem e o mal, e o perigo de uma liderança desequilibrada e mal intencionada em situações adversas. Nesse caso, o mau vence o bom porque ao contrário do bom líder, o mau não tem escrúpulos, e então, o bom terá que tomar atitudes que ele nunca pensou tomar, se quiser sobreviver. O antigo líder acaba virando caça da fúria ensandecida do seu antigo grupo que agora se tornou um “bando”, e terá que virar o jogo.
Uma sutil ironia no título do filme: a “mosca” no antigo Egito simbolizava valores de insistência e tenacidade e em algumas tribos indígenas da África Central é o símbolo da solidariedade, um valor pretendido no início da história e depois esquecido.
Este romance de William Golding foi visto como uma nota do pós-guerra sobre a fragilidade das civilizações e é até hoje, o que mais o identifica junto ao público.
“Estranho pensar que a Fera era algo que se podia caçar e matar!” – O Senhor das Moscas
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