por trás do espelho

reflexões involuntárias

Eli Boscatto

Formada em Ciências Políticas e Sociais, curiosa, inquieta, adora se emocionar. Pretensa poeta.

As Grandes Mulheres da História e o poder

O poder político costuma ser uma prerrogativa masculina, porque afinal o poder feminino vai além da esfera política. Grandes personalidades femininas mudaram a história de povos e civilizações. Algumas foram déspotas, outras polêmicas, mas apesar de muitas delas terem obtido o poder por herança dos pais ou maridos, elas foram à luta por mudanças, para defender seus reinos, e até movidas por aquele motivo nada nobre e em geral atribuído aos homens, a ganância. E não podemos deixar de lembrar que muitas viveram em épocas em que a mulher não tinha voz ativa e já nascia com seu destino traçado.


0,,32877667-EX,00.jpg A rainha Elizabeth I

Aqui não cabem todas, mas elas tinham em comum coragem e ousadia. Mas quando se trata de ambição desmedida, as grandes mulheres da História também não ficam devendo nada aos grandes homens da História, quando não superam estes. Porém, não podemos deixar de lembrar que seus comportamentos e atitudes refletem os costumes e o cenário político da época em que cada uma viveu. Interessante ainda observar, que a Inglaterra parece ser fértil em produzir mulheres governantes que fizeram história, desde a rainha Elizabeth I até Margareth Tatcher.

A rainha Elizabeth passou para a história por suas medidas políticas na Inglaterra e por sua luta contra o catolicismo, que nesse período enfrentava a reforma protestante na Europa. Elizabeth pertenceu à dinastia Tudor, era filha de Henrique VIII e Ana Bolena. Ironicamente seu pai sempre quis ter um herdeiro masculino, e por causa disso teve polêmicos casamentos. Quando o papa não autorizou seu divórcio da primeira esposa, Henrique VIII rompeu com a igreja Católica e fundou a igreja Anglicana para poder se casar com Ana Bolena. Durante seu reinado, Elizabeth complementou o movimento iniciado por seu pai e exigiu que o Anglicanismo se tornasse a religião oficial da Inglaterra. A rainha nunca se casou ou teve herdeiros e faleceu em 1603 encerrando a dinastia Tudor.

mary-stewart-womens-932.jpg Maria Stuart

Maria Stuart nasceu na Escócia e foi educada na França, tendo sido prometida em casamento ao filho de Henrique III, Francisco, o que assegurou a aliança entre França e Escócia. Ela foi uma das rainhas mais famosas do século XVI, era bonita e elegante. Com a morte precoce do rei Francisco e sua volta à Escócia, Maria Stuart teria passado a ser alvo de intrigas de seus próprios parentes, e em 1587, morreu guilhotinada na Inglaterra. Ela teve contra si o ódio e a maldade de soberanos impiedosos.

Catharina_Aleksejevna_by_Grooth.jpg Catarina, a Grande

Catarina II foi uma imperatriz (czarina) russa de origem alemã. Era filha de nobres prussianos e aos 15 anos foi enviada a Moscou para conhecer seu futuro esposo o Grão-duque Pedro Holstein-Gottorp, que assumiu o trono em 1761 passando a se chamar Pedro III. Mas a ambição de Catarina era chegar ao trono, o que ocorreu em 1762 após supostamente ter criado um plano, em aliança com alguns generais do exército, para retirar do trono seu marido e posteriormente assassiná-lo. Catarina governou a Rússia sob os ideais iluministas, tendo tomado uma série de medidas para beneficiar a nobreza russa insatisfeita com seu governo. Mantinha correspondências com filósofos franceses como Diderot e Voltaire e incentivava o conhecimento e a cultura tendo construído a Universidade de Moscou em 1783. Criou leis diminuindo o uso da tortura e da pena de morte e permitiu a liberdade de culto.

victoria.jpg A Rainha Vitória

Alexandrina Vitória Regina, nasceu em 1819. Era filha do duque de Kent e da ex-princesa de Leininge. Aos 18 anos herdou o trono de seu tio, o rei da Ingraterra Guilherme IV e governou o país por 64 anos, período conhecido como Era Vitoriana. Durante o seu reinado ocorreu o auge da política industrial e colonialista inglesa, com a prosperidade da burguesia industrial. Vitória aboliu a escravidão no Império Britânico, reduziu a jornada de trabalho dos trabalhadores da indústria têxtil e instalou o direito ao voto para todos os trabalhadores. Mas os últimos 30 anos da Era Vitoriana foram marcados pelo imperialismo e neocolonialismo britânico. As potências industrias daquela época (Inglaterra, França e Alemanha) submeteram, dominaram e exploraram os continentes asiático g11a031g.jpg Anita Garibaldi

Anita nasceu Ana Maria de Jesus Ribeiro da Silva, em Laguna, Santa Catarina no Brasil. Teve origem familiar humilde, mas com uma boa educação. Casou-se bem jovem aos 15 anos com Manuel Duarte de Aguiar. Em 1837 durante o desenvolvimento da Revolução Farroupilha, conheceu Giuseppe Garibaldi, um dos principais líderes do movimento que conquistara sua cidade natal. Apaixonada, deixou um matrimônio infeliz, aprendeu a manusear espadas e armas de fogo e foi acompanhar o revolucionário italiano. Anita Garibaldi foi ousada para uma época em que a mulher sequer pensava em deixar seu casamento, quanto mais pegar em armas e lutar numa revolução.

cleopatra.jpg Cleópatra

Todo mundo conhece a história de Cleópatra, a polêmica rainha egípcia que conquistou generais em busca de suas ambições políticas. Tinha como objetivo dar fim às dominações estrangeiras em seu reino. Cleópatra nasceu no ano 69 a.C., filha do rei egípcio Ptolomeu, na cidade macedônica de Alexandria. Dizem que não era bela como retratada nos filmes de Hollywood, mas muito inteligente e sedutora. Conta-se que para encontrar o general romano Júlio César sozinho, em torno do qual pairavam desconfianças sobre suas pretensões dominadoras, Cleópatra se deu de presente enrolada num tapete. Em troca, obteve o apoio de Júlio César que lutou a seu lado contra os revoltosos contrários ao governo da rainha.

margaret_thatcher_cropped1.png Margareth Tatcher

Margareth Tatcher foi a primeira mulher a se tornar Primeiro-Ministro na Inglaterra. É até hoje amada pela direita e odiada pela esquerda. Ficou no cargo por 11 anos e realizou uma série de reformas na economia e nos sindicatos trabalhistas. Ela conseguiu controlar a inflação e acelerar a valorização da moeda inglesa, mas não conseguiu baixar a taxa de desemprego. Talvez uma de suas decisões mais acertadas, embora a Grã-Bretanha pertença a União Européia, tenha sido não adotar o euro como moeda. Parece que ela se antecipou à crise.

Isabel de Castella.jpg Isabel de Castela

Isabel de Castela foi soberana na Espanha juntamente com seu marido Fernando de Aragão. Era filha do rei Juan II de Castela e ficou órfã do pai aos 3 anos. Viu sua região e seu país passar por vários conflitos, e sua mãe enlouquecer. Os conspiradores pensavam que Isabel de Castela seria fácil de manipular, como seu irmão Afonso, que foi coroado rei com apenas 11 anos e faleceu 3 anos depois, e a proclamaram “princesa das Astúrias.” Com 17 anos ela já sabia os motivos da guerra à sua volta e virou o jogo a seu favor quando, entre três pretendentes, decidiu se casar com Fernando de Aragão, o segundo na linha sucessória ao trono de Aragão. Sob o reinado do casal, a Espanha se unificou, Castela foi pacificada e o poder assegurado em Aragão. No entanto, o casal de monarcas foi também tirano e cruel, pretendiam varrer da região os muçulmanos que lá permaneceram depois da guerra, e também os judeus, e contaram com a inquisição na igreja Católica para ajudar no massacre. O casal foi responsável pelo maior genocídio promovido pela Espanha. Nesse período a Espanha também alcançou a posição de potência internacional com a tomada das Ilhas Canárias na costa Africana e com a descoberta da América por Cristóvão Colombo.

rainha-de-saba.jpg A Rainha de Sabá

Não se sabe se a Rainha de Sabá é apenas uma lenda, ou se existiu de fato, pois não há comprovação de sua verdadeira história e nem relatos do seu fim. Ela aparece em textos religiosos em livros sagrados, no Velho Testamento datados no século 6 d.C., no Alcorão muçulmano e no Talmud judaico. Dizem que era belísssima e culta, e teria assumido o trono aos 15 anos após a morte do pai. Seu nome se refere à sua cidade natal. Em Sabá, uma região comercial e muito próspera, os homens e as mulheres possuíam praticamente os mesmos direitos, a única diferença era a determinação religiosa da rainha manter-se virgem. Como sabia que jamais poderia desfrutar dos prazeres carnais, teria se dedicado ao misticismo e a filosofia. É famosa a história de amor entre a Rainha de Sabá e o Rei Salomão que despertou sua curiosidade, de tanto ela ouvir relatos sobre esse rei muito sábio, rico e generoso. Teria então viajado até Jerusalém para conhecê-lo. Lá chegando, apesar do voto de castidade, se entregou ao rei Salomão, seduzida por seus dotes intelectuais. Convertida ao judaísmo, teria voltado grávida a sua cidade e tido um filho chamado Menilek. A partir daí os relatos sobre a Rainha de Sabá se tornam escassos.

Fontes: revista Superinteressante e http://www.brasilescola.com/historia/grandesmulheres.htm


Eli Boscatto

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