por trás do espelho

reflexões involuntárias

Eli Boscatto

Formada em Ciências Políticas e Sociais, curiosa, inquieta, adora se emocionar. Pretensa poeta.

A impessoalidade do espaço público e a arte de Krzysztof Wodiczko

Krzysztof Wodiczko, filho do maestro polonês Bohdan Wodiczko, nasceu em 1943, durante a revolta do gueto de Varsóvia e cresceu no pós-guerra, ocupada pelos soviéticos, na Polônia. Trabalha com projeções de grande escala em fachadas de prédios e monumentos, “instrumentos” nômades para moradores de rua e imigrantes. É possível perceber em sua obra uma busca pela consciência social e política. E para tanto, a mensagem há de ser intensa e perturbadora.


wodiczko-video-008.jpg Tijuana Projection 2001 México - sobre a violência contra as mulheres

Wodiczko formou-se em 1968 pela Academia de Belas Artes de Varsóvia, famosa pelos cursos de arquitetura, desenho industrial e artes visuais. E em 1967, quando ainda era estudante na Academia de Belas Artes de Varsóvia , ele começou a colaborar com o diretor Jozef Patkowski e o Estúdio Experimental em performances sonoras. Em 1977 mudou-se para o Canadá, e em 1983 para os Estados Unidos. Sua obra dialoga com a monumentalidade silenciosa dos prédios mediante a exposição de imagens associadas aos direitos humanos e à democracia, à crueldade da existência urbana e das interações sociais.

Sua prática conhecida como Interrogative design combina arte e tecnologia como um projeto crítico com o fim de destacar as comunidades sociais marginais e adicionar legitimidade para as questões culturais, para as quais muitas vezes é dada pouca atenção. Sua obra se estende por quatro décadas e já foram realizadas mais de 80 projeções públicas na Austrália, Áustria, Canadá, Inglaterra, Alemanha, Holanda, Irlanda, Israel, Itália, Japão, México, Polônia, Espanha, Suíça e Estados Unidos. Em uma instalação de 1985, uma imagem da suástica foi projetada sobre a embaixada da África do Sul em protesto ao regime do apartheid.

Em 1996, Wodiczko incorporou som e movimento a seus projetos, trabalhando em colaboração com as comunidades vizinhas aos locais escolhidos, que tinham membros projetados (mãos, rostos ou corpos inteiros), sobre fachadas arquitetônicas, com testemunhos orais. Desse modo o artista expandia as definições do que entendemos por um espaço público, ao mesmo tempo que era fortalecida a cidadania muita vezes negada a essas pessoas.

Sou um homem invisível. (...) Um homem de substância, de carne e osso, fibra e líquidos &– pode-se até dizer que possuo uma mente. Sou invisível, entenda, simplesmente porque as pessoas se recusam a me ver. Quando se aproximam de mim, vêem apenas o que está à minha volta, elas mesmas, ou a ficção de sua imaginação &– realmente tudo, exceto eu. Ralph Ellison. O homem invisível, 1947.

Seus trabalhos posteriores incluem a fabricação de “instrumentos” de sobrevivência urbana, concebidos para moradores de rua e imigrantes: armaduras contemporâneas que não só investem o usuário de um poder simbólico, como também facilitam certas capacitações físicas por meio da tecnologia. É por meio desses trabalhos que Wodiczko faz uma denúncia das mazelas econômicas, emocionais e psicológicas que cercam a vida nas cidades.

“A democracia é uma das oportunidades mais desafiadoras, senão problemáticas.” Krzysztof Wodiczko

Veja projeções de Wodiczko em http://sap.mit.edu/resources/portfolio/kudos_krzysztof/

Krzysztof Wodiczko. Guests 1.jpg "Guests" de 1999 image002.jpg Washington, 1988 krzysztof-wodiczko.jpg Hiroshima Projection, 1999 bild.jpg «sem-abrigo» Veículos, 1988 – 1989 Wodiczko_Krzysztof_w01.jpg Projeção sobre o Memorial aos Soldados e Marinheiros 1984-1985, onde se vê dois mísseis interligados, um americano e outro soviético Fonte: Wikipédia, livro Grandes Artistas


Eli Boscatto

Formada em Ciências Políticas e Sociais, curiosa, inquieta, adora se emocionar. Pretensa poeta..
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