por trás do espelho

reflexões involuntárias

Eli Boscatto

Formada em Ciências Políticas e Sociais, curiosa, inquieta, adora se emocionar. Pretensa poeta.

O universo cultural das ruas


Antropofagia-Urbana-d.jpg Imagem retirada do endereço www.abcdoabc.com.br

Os espaços urbanos têm a característica de abraçar todas as formas de manifestação, sejam elas artísticas e performáticas ou esportivas. Algumas formas de expressão adotaram as ruas, outras surgiram nas ruas. Entre as artisticas, temos o teatro, o circo, a música, a dança, o grafite, a Estátua Viva. Os artistas de rua ou Saltimbancos existem desde a Idade Média, já se apresentavam em praça pública com performances teatrais e circenses. Já nas manifestações esportivas, podemos citar o skate, a bike, o patins, entre outros. O grande atrativo das ruas é sua simbologia com a liberdade, com um tanto de rebeldia. Na era contemporânea surgiram nas grandes cidades movimentos que contestavam a mecanização do trabalho, a opressão, a desinclusão social, influenciando as manifestações artísticas. Uma maneira que a juventude também encontrou para compensar o tédio e o modo de vida massacrante nas grandes metrópoles. Mais tarde o mercado da moda e as academias de dança tomaram emprestado o estilo das ruas.

O magnetismo dos ritmos e passos da dança de rua

A dança de rua teve sua origem em 1929 nos Estados Unidos por ocasião da quebra da bolsa de Nova York quando dançarinos e bailarinos desempregados dos cabarés americanos, começaram a apresentar suas performances nas ruas. A dança tem como característica a batida forte e foi influenciada por vários ritmos, sempre associada à cultura e a identidade negras, por estilos musicais como o Blues e o Rhythm Blues, tendo os passos bem marcados com movimentos de pernas e braços e às vezes com saltos e piruetas de solo. Teve influências da música Disco e do Rap. Nos anos 1960 James Brown surgiu com o Soul e o Funk. Na década de 70 esse movimento cultural que havia nascido nos guetos nova-iorquinos e teve início na dança, se estendeu para outras manifestações artísticas como a pintura, a poesia, o grafite e o modo de se vestir, passando a se chamar movimento Hip-Hop. Nos anos 1980 Michael Jackson inovou e tornou a dança de rua conhecida no mundo todo com seu jeito característico de dançar chamado Breaking. Hoje em tempos de rap e funk ostentação, com algumas exceções, perdeu-se o viés contestador do estilo musical; restou o ritmo.

A arte do grafite

banksy-png.jpeg Banksy 04.jpg Os Gemeos

O grafite ou Street Art surgiu na década de 1970 em Nova York quando alguns jovens do movimento Hip-Hop começaram a deixar suas marcas nas paredes da cidade e depois de algum tempo evoluíram com técnicas e desenhos. Os materiais utilizados pelos grafiteiros vão desde as tradicionais latas de spray, até o látex. Há muita polêmica cercando a arte do grafite considerada por alguns como pichação e vandalismo, mas o grafite é a melhor forma de expressão para refletir a realidades das ruas, tanto como meio de protesto quanto arte despretenciosa para alegrar um espaço abandonado e sem graça. Atualmente há uma disputa entre grafiteiros e pixadores, grafiteiros que fazem arte onde antes só havia pichação e pichadores estragando o trabalho de grafiteiros. Podemos dizer que existem os vândalos pichadores e os “vândalos” do grafite, vândalo aqui como figura de linguagem para aquele grafiteiro que provoca através de seus desenhos. O grafite ainda mantém em algumas intervenções urbanas o viés contestador que a música massificada perdeu. Temos ótimos artistas grafiteiros no mundo todo, um dos mais conhecidos é o britânico Banksy que utiliza a Técnica do Estêncil em seus desenhos, talvez a mais antiga técnica do mundo remontando à pré-história. No Brasil temos os Gêmeos, dois irmãos grafiteiros de São Paulo.

Skateboard, surfando no asfalto

O Skateboard como é conhecido hoje teria surgido na Califórnia na década de 1960 onde os praticantes tentavam imitar no asfalto as manobras do surf, sobre uma prancha com rodinhas. Nesse período o Skate era completamente ligado ao surf e influenciado por ele, ocasião em que surge a prática do skate vertical e chega ao Brasil através de surfistas americanos. Nos anos 80 aparece a modalidade conhecida como Street Skate utilizando corrimãos, paredes e escadas, quando a prática sofreu influência dos movimentos Punk e Hip-Hop. A invenção da roda de poliuretano em 1972 havia revolucionado o Skate e surgem então novas modalidades de manobras. Tido no início como esporte rebelde, com a criação dos X-Games pela ESPN na década de 90, entrou para a categoria dos esportes radicais, mas lutou para manter sua identidade própria. Hoje há campeonatos de Skate por todo o mundo em todas as modalidades e um dos skatistas mais famosos do mundo é o carioca Bob Burnquist, praticante das modalidades street e vertical e ganhador de 26 medalhas em X-Games.

Skate é coisa de menino?

skate12.jpg Meninas skatistas do Afeganistão

Algo muito interessante sobre o skate foi o que aconteceu no Afeganistão para a vida das meninas naquele país, onde o preconceito contra o sexo feminino é imenso e são proibidas de andar de bicicleta. Tudo começou quando o skatista australiano Oliver Percovich visitou a capital Cabul em 2007 e ficou admirado com o interesse dos meninos e meninas pelo esporte. Resolveu então criar um projeto, e assim nasceu a ONG Skateistan para ensinar a prática do skate. O que chama a atenção é que 40% dos interessados no esporte são meninas. A iniciativa deu tão certo que depois o projeto se expandiu para o Camboja e África do Sul. Veja mais no site da Ong http://www.skateistan.org/

Le Parkour, o salto dos felinos pela cidade

O Parkour fica entre o esporte e a arte. Técnica adaptada na década de 80 pelo francês David Belle, que é também um praticante de artes marciais e se inspirou em seu pai combatente na Guerra do Vietnã, não é um esporte de competição devido aos riscos físicos envolvidos, mas uma disciplina, uma arte do deslocamento onde os praticantes chamados de “traceurs”, treinam seu corpo e sua mente para si mesmos, e usam o corpo para passar obstáculos de uma forma rápida e fluente. Em resumo a prática não é para impressionar ninguém e embora semelhante, não se trata de acrobacia, podendo ser praticado por homens e mulheres, as chamadas "traceuse". Os grupos se encontram em parques, praças e locais que tenham muros, corrimãos, escadas e outros obstáculos. A técnica é pouco conhecida no Brasil e chegou por volta de 2004.

Fontes: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/05/150506_vert_cul_afeganistao_skatistas_ml www.infoescola.com › Artes › Dança

www.cbsk.com.br/paginas/historia-do-skate-no-mundo www.brasilescola.com › Artes

www.lepartanos.com/2009/03/historia-do-parkour.html


Eli Boscatto

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