por trás dos relacionamentos

É preciso, muitas vezes, esquecer o que se sabe a fim de começar a ver o que não era visto.

Santiago Gomes

Acredito que a revelação dos maiores mistérios encontram-se nas entranhas do autoconhecimento.

POR TRÁS DOS RELACIONAMENTOS - Projeção simbólica

Será que o problema é o outro ou o problema está na PROJEÇÃO SIMBÓLICA de um ideal que queremos que o outro vista em prol de acalentar nossas expectativas?


Diferente da Transferência e da Percepção no que tange, respectivamente, o objeto e a realidade, a Projeção Simbólica faz referência à maneira como projetamos o “ideal” daquilo o que desejamos ao passo que vestimos o outro, tal qual uma fantasia.

Pode-se compreender que, ao vivenciarmos determinada situação sexual fantasiosa com o parceiro (fetiche), por exemplo, que o desejo faz jus à fantasia a qual não é, usualmente, capaz de se fazer concreta – por isso permanece no desejo. Do mesmo modo a excitação se relaciona com o símbolo o qual o outro se veste e engana-se, literalmente, aquele que atribui a si o vanglorio do despertar, tanto do desejo, quanto da excitação do outro.

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Em outras palavras, ao conhecer uma pessoa que ocupa um papel social de professor, por exemplo, inconscientemente, posso projetar a ideia de uma pessoa centrada, disciplinada, coerente e inteligente (ideal para mim) e ao me lançar ao relacionamento, condenar-me devido ao equívoco oriundo da minha própria projeção, tal como ser capaz de me frustrar ao dar conta de que se trata de alguém bem diferente daquilo o que idealizei.

Em situações mais razoáveis, lançar-me-ei a conhecer a realidade que concerne ao outro de modo que refutarei minhas próprias projeções com a clareza de se tratarem de meras fantasias e, por conseguinte, darei a oportunidade para que se revele a natureza da personalidade alheia de modo que seja capaz de avaliar se valerá a pena, ou não, persistir em tal relação.

Claro que temos de levar em conta que tais projeções são inconscientes, o que nos leva a compreender acerca do desafio que é, em primeiro: perceber que estamos projetando; em segundo: após identificadas, a melhor maneira de lidar com essas mesmas projeções em favor da realidade concernente ao sujeito.

Outra situação, não tão razoável, se faz quando, ao vestir o outro com o símbolo (ideal), de alguma maneira nos tornamos tirânicos quanto aos comportamentos alheios de modo a exigir que se apresentem da maneira como queremos que sejam. Essa, naturalmente é uma das situações mais comuns nas relações, ao passo que se torna a origem da maioria dos conflitos: “Eu esperava que agisse de tal maneira”; “Queria que fosse mais assim...”; “Não é assim que se comporta um marido (ou esposa).” e por aí vai.

Consequência disso o parceiro passa a conflitar, não necessariamente conosco, mas com o símbolo que tentamos imputar nele, o que o leva, naturalmente, a criar aversão a nós, visto que passamos a adotar a aparência simbólica que ocupa o lugar do objeto estressor. Isso explica o porquê de nos darmos tão bem quando nos afastamos de pessoas (família ou cônjuges) as quais se faziam como protagonistas dos nossos conflitos. Tudo porque, por se tratar de algo invisível, direcionamos nossa aversão para o objeto concreto, gerador da vestimenta simbólica a qual não nos acalenta.

Numa perspectiva mais fenomenológica, isso diria respeito à “Intenção e à Intencionalidade” que, respectivamente faz jus àquilo o que esperamos e à coisa como realmente se apresenta. Justificando o parágrafo acima, em favor do ideal, podemos acabar sendo obtusos quanto à realidade a nossa frente, o que nos promove a postergar ações e decisões por permanecermos sob o jugo das deliberações provenientes das próprias fantasias inconscientes. Resumindo em uma única frase: “se quer evitar a frustração, não crie expectativas”... Algo difícil em uma sociedade que tem como cultura o RESULTADO em detrimento do PROCESSO.

Por fim, uma terceira situação que pode surgir é aquela onde o outro passa a se vestir das nossas projeções a fim de nos controlar. Ou seja: o outro se dá conta daquilo o que esperamos e, consciente ou inconscientemente, permanece (fingindo) naquela condição para obter poder sobre nós ou mesmo a fim de ganhar tempo o suficiente para se criar elos os quais, quando sob controle, serão consideráveis no momento em que sua realidade (por trás da máscara) vier à tona. Exemplo disso, temos a síndrome de Don Juan, onde o indivíduo se veste do parceiro perfeito a fim de se obter poder sobre o outro, o que naturalmente não dura muito, mas acaba sendo gerador de distorções na psique do “seduzido” de modo a criar fantasias tais como: “deixei escapar o homem (ou mulher) perfeito: bom de cama, gentil, romântico...”... Familiar essa situação, não é mesmo?

Pois bem. É necessário espreitar com fúria a própria psique a fim de evitar o tanto quanto possível que tais deliberações oriundas do inconsciente sejam capazes de fadarem relações, que poderiam ser importantes ao desenvolvimento pessoal, pelo simples fato de “não se encaixarem” nas próprias expectativas ou projeções simbólicas. Conhecer tal ocorrência nos coloca a um passo largo à frente de possíveis equívocos que podem trazer como consequências tanto a perda fatal do tempo quanto às distorções emocionais e projetivas acerca do que venha a ser o “ideal” para nós.


Santiago Gomes

Acredito que a revelação dos maiores mistérios encontram-se nas entranhas do autoconhecimento..
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