por uma linha que caiba

Rabiscos aleatórios daquilo que a rotina não sustenta

Priscila Pasko

Priscila Pasko é jornalista. Ainda não tem uma opinião formada sobre a sua pessoa, mas tem certeza de que se puder escrever será alguém feliz.

Remédios imaginários para dores reais

Se a vida real nega artifícios que eliminem o sofrimento do ser humano, a fantasia assume a tarefa de afastar a dor através de engenhosidades astuciosas


brilhoeterno04.jpg

Conforme Schopenhauer, o sofrimento é a essência da vida. Não existiria a possibilidade, portanto, de sair incólume da existência sem ter experimentado tal processo e amadurecido com ela. Mesmo assim, essa clareza filosófica não se manifesta de forma tão lúcida quando o indivíduo se vê encurralado por esta fatalidade. Tudo o que se deseja é esquecer, anular, transferir ou procrastinar a angústia.

Brilho eterno de uma mente sem lembranças (2004), dir. Michel Gondry

Em Brilho eterno de uma mente sem lembranças, a empresa Lacuna Inc. apaga as lembranças indesejadas

Sabendo que a fuga é inviável, cabe à alma aceitar o infortúnio e com ele conviver até que o tempo o extirpe ou, pelo menos, amenize o seu peso. Mas é justamente em situações como essa que o homem cogita, ainda que em segredo, a existência de mecanismos imediatistas e - por que não? - irreais que sanem a solidão, o vazio ou qualquer outro conflito.

Enquanto a realidade insiste em tratar certos acontecimentos com a crueza que se faz necessária, cabe, então, à fantasia o papel de criar artifícios engenhosos para conter o sofrimento. São inúmeros os métodos escolhidos pelo cinema, por exemplo, que deslumbram soluções hipotéticas para dores reais. Este texto apresenta três de todas as possibilidades criadas.

Almas à venda (2009), dir. Sophie Barthes

Em Almas à venda, um laboratório particular oferece alívio aos clientes vendendo e alugando almas

Her (2013), dir. Spike Jonze Em Her, Theodore acaba se envolvendo com a voz de um sistema operacional de inteligencia artificial

Contudo, curiosamente, percebe-se que é justamente por meio da dor que o ser humano se transforma. Fugir dela faria do indivíduo um ser despido da consciência dos riscos e da beleza da vida. Schopenhauer tinha razão, o sofrimento é a essência da vida.


Priscila Pasko

Priscila Pasko é jornalista. Ainda não tem uma opinião formada sobre a sua pessoa, mas tem certeza de que se puder escrever será alguém feliz..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/cinema// @destaque, @obvious //Priscila Pasko